Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Conversas de Balneário

Domingo, Novembro 15, 2009

A Malta de Alverca 1997 - Parte 2


Após um primeiro olhar sobre a grande equipa do Alverca 1997 aqui vamo-nos debruçar sobre mais uns 3 mosqueteiros da Dream Team de Luis Filipe Vieira ha 12 anos.

Sousa - Defesa direito de eleição, o novo João Pinto, ágil, rápido, mais um promissor da cantera benfiquista.. que .. não teve sucesso. Joga hoje no Arouca e é treinado pelo Carlos Secretário, nao sei se estão a ver quem é. Um defesa direito que só passou pelo Real Madrid. Não está ao alcance de qualquer um.. principalmente quando se trata de um erro de casting.
Sousa foi mais um dos jogadores que passaram pelo FCPorto para assinar um contrato, porque minutos nem vê-los.. Mas para compensar passou pelo Olympiacos Nicosia, Beira Mar, Farense, e Belenenses. Para um licenciado em Economia nao está nada mau.

Maniche - Palavras para quê? É mais um artista deste ano no Alverca. Esta foto diz tudo.. Maniche pensava "quando for grande quero ser ainda mais feio, com piores dentes, um cabelo ainda pior, e quero sempre vestir uma camisola azul ou vermelha" E de facto cumpriu. Missão Cumprida Maniche!! Ainda assim, foi decisivo para a grande época do Alverca na II Divisão de Honra, com 29 jogos e 5 golos.

Casquinha - Quem? Como? Desculpem? Ah, um jogador que nunca saiu do Ribatejo? claro que conheço!! Sertanense, Alverca, Vilafranquense, Carregado, Malveira... pois, faz sentido esta carreira. Uma vez ribatejense, para sempre ribatejense. Com este nome.. nao podia ir longe. Se ao menos se chamasse Casca, ou Gema, ou Clara.. Agora Casquinha nao ia lá. Claro que nesta época do Alverca jogou 90 minutos apenas.

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

Uma jóia no coração de Portugal

EXCURSÃO A CAMPOMAIOR.

1º Dia:
Saída em autocarro de turismo com seguro incluído. Chegada a um aconchegante hotel em regime de Octaviano. De seguida a um delicioso almoço vamos visitar CAMPOMAIOR, a terra do café português, e lugar onde são produzidos os mais franzinos e subnutridos Arriagas do País.
Ali iremos a uma FÁBRICA DE MORCELAS, onde além de conhecer o processo de fabricação dessas deliciosas receitas da obesidade mórbida na classe dirigente, iremos dar-lhe a oportunidade de socar um enchido com uma luva de Vítor Baía calçada na mão direita. Exclusivamente para si.
Regresso ao hotel, onde irá ser servido o jantar. De seguida vamos participar num ANIMADÍSSIMO KARAOKE onde todos serão convidados a cantar as animadas cançonetas do popular conjunto "Stanimir Stoilov e a Filarmónica dos Cristãos Ortodoxos de Turgovishte".




















2º Dia:
Pequeno-almoço.
Apresentação publicitária a cargo de JORGE SILVÉRIO, com artigos de alta qualidade, faces ruborizadas de aldeões ébrios, e óptimos preços. Uma potente cerquelha poderá também jaimar sucinta aparição, para deleite do público presente.
O almoço será MIGAS COM GILA, delicioso prato da gastronomia alentejana! Aconselhamos porém a que deixem a Gila na beira do prato, sob pena da sua polivalência se perder num molho de mediania.
Logo após faremos novo passeio panorâmico de autocarro pela MONUMENTAL CIDADE DE CAMPOMAIOR, onde avistaremos a FORTALEZA D. PAULO BANHA TORRES, de onde canhotos canhões eram disparados à cabeça de secretários formando barreira, cumprindo assim uma centenária tradição lusitana.
Além disso, teremos TEMPO LIVRE para comprar as FAMOSAS CHIPMIX, tradicional iguaria campomaiorense. Os nossos estimados clientes terão a oportunidade única de tirar uma pepita de chocolate directamente da testa de Nuno Afonso.



















Regresso a casa na certeza de termos passado dias muito felizes com EXCURSÕES NABEIRO, a sua MELHOR COMPANHIA.

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Comunicado

A Cromos da Bola, SAD emite o seguinte comunicado:

“Desapareceu dos relvados do futebol o bigode lusitano. Em tempos foi rei e senhor do quadrângulo verde e pode ser facilmente reconhecido pelos mais velhos e pelos saudosistas no geral, os mesmos que hoje em dia ouvem a M80 e que acham que a Samantha Fox é a 8ª maravilha do mundo (embora tenha 1,55m e seja lésbica). A fotografia que se junta exibe o bigode numa das suas derradeiras aparições públicas, escarrapachado na pele de Louro, um defesa com nome de papagaio e que por acaso até era um morenaço bem viril, apesar de muitas vezes mancharem esta imagem com parvoíces do género “dá o pé, Louro, dá?”. A última vez que o bigode foi visto estava na companhia de um sombrio treinador-adjunto ou de um roupeiro alcoólico e demonstrava um trato comportamental bastante furtivo, longe da exuberância patenteada no seu zénite sócio-cultural. Deve possuir, nesta altura, bem mais de quarenta anos. Ostentava já algumas pontas brancas e deixava transparecer algumas debilidades emocionais nas semanas precedentes ao seu desaparecimento. Os vizinhos dão mesmo conta de alguma depressão. Há quem diga que se encharcava de Prozacs e de produtos etílicos de fermentação duvidosa por não aguentar a pressão da moda. Não está colocada de parte a hipótese do seu suicídio. A família desesperada refere que ele desenvolveu um ódio de morte em relação à metrossexualidade e que tentou combater, sem êxito, a força das suas loções e esfoliantes. As últimas investigações detectaram eventuais restos de bigode no chão de alguns salões de beleza e de pequenas barbearias geridas por velhotes de bata, misturados entre cadáveres de permanentes e carcaças de mullets, pelo que se aconselha vigiar de perto esses locais. É considerado inofensivo, mas pode picar. Repito, pode picar. Há quem diga que o viu carpindo mágoas junto a uma pista de carrinhos de choque ou a namorar um copo de vinho junto das quermesses de festas populares do interior ou mesmo junto aos restantes fenómenos Entroncamento no Verão passado, mas sem confirmação oficial.
Qualquer informação sobre o seu paradeiro deve ser comunicada às autoridades responsáveis ou ao Rocha do Duarte & Companhia, que é o guia espiritual de todos os que professam a religião bigodista portuguesa (e que tinha uma bazuca que era uma senhora arma de destruição maciça).
Agradece-se o esforço mas não serão dadas recompensas.
Vão mas é trabalhar.

A Direcção”

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

A Pantera Negra (A Outra)

Eusébio. Um nome, uma lenda. Pensamos em Eusébio e imediatamente associamos esse vulto a “tremoços”. E também a Portugal, vá lá. E vagamente à Amália e ao carismático par de lontras do Oceanário. É uma fama que perpassa gerações, nacionalidades e credos. Chegou a altura da homenagem da nossa SAD.
Aqui está Eusébio representado na flor da sua idade, pujante como nunca. Um equipamento imaculadamente negro, como negra era a vida de quem lhe tentava fazer um túnel. Uma frondosa extensão capilar, com duas pontas soltas a tombarem-lhe sobre a fronte, emprestando um elevado quilate estético a esta força da Natureza tornada jogador. O olho esquerdo um pouco mais cerrado, uma expressão de desafio, um aviso aos magos da bola que teimam em acarinhar o cautchu na intermediária: Eusébio não era apenas um mero carregador de piano; ele carregava-o, mandava-o ao chão e desfazia-lo em cacos apenas com o uso da sua mastodôntica força ortopédica. Duas sobrancelhas robustas, daquelas que definem a fronteira entre um Andrade e um Rui França. Um tufo de pêlos peitorais encarcerado pela justeza do equipamento e que teima em respirar à tona como se fosse um periscópio da masculinidade lusitana. E depois aquele subtil sorriso matreiro, qual Gioconda dos relvados enlameados com as bancadas bem próximas dos relvados e com velhas guinchadoras a arremessar pevides à careca do desamparado bandeirinha que não Bandeirinha, em jeito do anti-herói que despreza o perigo e que teima em partir as pernas dos outros quando não as consegue vergar.
Eusébio marcou mais que uma era; marcou muitas canelas por este Portugal dos brandos costumes.
Está feita a tua homenagem, Eusébio. Agora só pedimos, por favor, que não nos batas.


Este pode não ser o Eusébio que todos conhecem. Mas não deixa de ser uma lenda para nós.

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Bracara Assusta

Na ressaca do Halloween, dispensamos maquilhagem. Isso é coisa para meninas, bandas dos anos 80 e para o Kenny Cooper. Aqui no Cromos da Bola, SAD, gostamos dos nossos sustos sem corantes, conservantes e aditivos vários. Assim sendo, fomos à pesca.
Como do Oceano não apreciamos Peixe, Lula, Crodonilson ou Estrela-que-não-Pedro-do-Mar, fomos esgravatar no bas-fond da Bracara Augusta, na expectativa que nos saísse um mexilhão de qualidade.
E há melhor mexilhão do que Borçato?
Já dizia a minha mãe, "quem não tem Cao, caça com Borçato". E o vosso escriba, obediente petiz de antanho, assim fez. E que bom susto nos oferece o aguerrido brasileiro! Até parece que estou a ver o plantel do Beira Mar tolhido de medo perante este corcunda de Notre Dame, que não era corcunda, nem de Notre Dame. Nem o Vítor Duarte escapou ao sobressalto, logo ele que era uma espécie de Dinis albino, que não Bino percursor da mosquinha.

Mas nem só de Borçato vive o espavento, e a nossa pescaria trouxe mais bivalves de qualidade.
Vejamos o Caniggia de Alhos Vedros, Pedro Miguel de seu tímido nome, meio sorriso no rosto estampado. Não enganas ninguém, Pedro. Esse encenado esgar de simpatia não cobre a loucura adjacente ao teu olhar. Está lá, Pedro, e toda a gente vê (menos o Gaspar Ramos, porque não sabemos muito bem para onde está a olhar). Esse desatino que te vai na alma é transparente. Conseguimos cheirar o sangue de mil mutiladas vítimas no teu cabelo de pontas espigadas, podemos ver a morte na tua barba negligé de 3 dias. O teu trejeito de felicidade não é senão uma fachada, uma capa para cobrir a mórbida demência que te leva a roer os ossos daquilo que resta do simpático Johnny Rodlund. A tua máscara caiu, Pedro. Nós temos medo. E tu?

Olha no fundo do balde! É um Vado! Lá está ele todo espantado. És feio, mas não metes medo, malvado. Ficas aí ensopado, no fundo do balde pregado, desamparado. Coitado? És pequeno e limitado, mas não temos pena de ti aí no fundo do balde sulcado. Vês o caso mal parado? Não fosses Vado, fosses antes Borçato que é bem mais amado.

Eh lá, sobrou um Chico. E acho que é um Silva. É verdade, grande pescaria.
Um Borçato para o palato, um Vado para o enfado, e um Pedro Miguel para fazer pastel. E como se já não bastasse, calha-nos um Chico no final da festa. E é um Silva!

Não dá para grande abalo de terror repentino, mas é sempre bom para afugentar certas pessoas.
Como dá ares de arrumador, pode ser que o Floris Schaap não queira arrotar 50 cêntimos para deixar a Famel à porta do balneário e venha de autocarro. Quanto mais tarde o antecessor de Nordin Wooter chegar ao treino, mais hipóteses tem o Jorge Ferreira de ser titular. E todos queremos ver o Jójó no tapete verde, não é?


Post Scriptum Cromatium: como podem ver no cantinho aí à direita, o Cromos da Bola SAD é oficialmente uma prostituta da blogosfera: já estamos no Facebook. E queremos ser vossos amigos. (Bod)Unha e carne, como Dani e Domínguez.

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Petições Para Que Vos Quero

As petições. Ah, as petições, as petições… O que seria deste mundo sem as petições? O que seria do Rui Santos sem uma petição? Provavelmente, apenas mais um viciado em gel barato, aos caídos pelo Intendente, ressacando pela sua dose diária de azeite. É uma pergunta que ele pode deixar a si próprio para responder no próximo programa.
As petições, hoje em dia, são conhecidas pela enorme relevância que assumem no caos democrático em que vivemos. Por exemplo, Rui Santos conseguiu mobilizar para a sua petição personalidades tão afastadas do futebol como Almeida Santos, Bárbara Guimarães ou Cuíkeh Flores.
Há quem pense que as petições são coisa nova. Mas não. Pelos menos, já desde os tempos da queda do Muro de Berlim que circulavam petições por aí. Eis três exemplos.

1 – Petição “Meninas Não Entram Em Chaves”

Em 1991, Slavkov deslumbrava nas margens do Tâmega. Com os seus passes desenhados a régua e esquadro e bolas que faziam cuchi-cuchi às redes, Slavkov levava todo o povo flaviense a sonhar de olhos abertos. Pudera. Os olhos não se podiam distrair daqueles postes de iluminação com publicidades monstruosas a uma entidade de construção civil com um nome tão catchy como era a ACCIOP. Mas, lá no fundo, Slavkov não andava bem. Sentia falta do velho bigode que personalizava a mística transmontana. Ultimamente, o balneário andava tão imberbe que até a mais pueril das ginastas da ex-RDA faria um figurão. Radi, Zdravkov para os amigos, tinha abalado e com ele levado um pouco do coração de Slavkov. É que Radi (não confundir com Rudi, por favor) era dono de um excelso bigode de inspiração bárbara que era capaz de mobilizar toda uma horda de guerreiros sedentos de bom futebol apenas com um pequeno esgar, como podemos constatar neste pictograma de 1988:
Este bigode era capaz de motivar todo um balneário, toda uma equipa, toda uma região. É certo que Diamantino, o capataz flaviense, possuía um bigode de fazer inveja a qualquer taberneiro que assa frangos de mangas arregaçadas com um avental da Scotch-Brite. Todavia, Diamantino já anunciara a sua retirada e a sua total dedicação ao negócio de enchimento de alheiras. Foi então que Slavkov, não conseguindo esconder o seu défice de carinho atrás do seu rosto quadrado, fez passar a sua petição, requisitando mais pilosidades infra-nasais no Desportivo local, de preferência farfalhudas.
Paulo Alexandre foi logo o primeiro a assiná-la, convencido que só o bigode de Manuel Correia seria insuficiente para assegurar a consistência do eixo defensivo. Lila também assinou de bom grado, pois tudo o que distraísse o público do seu nome que fazia pesadelos a Fernando Seara era bem-vindo. Depois Rudi assinou por simpatia. Vule assinou de cruz. E todos os outros se seguiriam, incluindo o próprio Diamantino, ciente que o seu testemunho seria passado a um rosto suficientemente viril.
O resultado final: um enorme sucesso. Chaves foi presenteado não com um, mas sim com dois bigodes – o portuguesíssimo Tavares e o obscuro búlgaro Tanev, recrutado numa taberna de Plovdiv. Agora Slavkov podia sorrir outra vez. Mas não o fez. Porque Slavkov jamais sorria.

2 – Petição “Mais Sal Para o Futebol Madeirense”

Na pérola do Atlântico, os canários piavam fininho. Isto porque havia pouca substância futebolística na torre de Babel em que se tornara o União. Entre balões e desmarcações desconexas, Markovic discutia com Lepi, este barafustava com Jairo, Jairo repreendia Dragan enquanto este se agastava com Stilic, e Nelinho, o português, perdido no meio, dizia “hã?”. O que faltava em golos sobrava em confusão.
Vai daí, Nelinho, pequeno no nome mas com enorme espírito de resistência, empreendeu uma petição em que clamava pelo verdadeiro sal do futebol: os golos. Para tal, precisava que a direcção reforçasse o clube com mais trunfos.
Nelinho explicou a questão aos colegas, em português. Isto levou cada um deles a interpretar à sua maneira a explicação de Nelinho. Por exemplo, Markovic escondeu a Bíblia do Marco Aurélio no cacifo do Valadas e Edilson começou a correr à volta do campo sem objectivo aparente. Mas Nelinho lá conseguiu recolher um número aceitável de assinaturas, não contando todavia com a receptividade de Matias, que protestou “Qu’esta m**da, car***o?!?”.
A direcção sensibilizou-se e respondeu com a contratação do equatoriano Quiñonez. E depois com o brasileiro Manu. Nelinho exasperava com as dificuldades de comunicação. O sal do futebol continuava ausente. Até que a direcção, farta das exigências de Nelinho, arranjou-lhe o mais próximo que conseguiu:
Não foi sal, foi Pimenta. E, curiosamente, este nem sequer marcava golos, quanto muito tentava evitá-los com o seu portentoso par de sobrancelhas.
Nelinho, desalentado, acabou por desistir das petições. Dedicou-se antes a cursar sérvio, espanhol, algum búlgaro pelo sim pelo não e linguagem gestual, na qual se graduou com distinção.

3 – Petição “Se Um Caccioli Incomoda Muita Gente, Dois Cacciolis Incomodam muito Mais”

Milton Caccioli
, a calva mais conhecida do Minho, elevou-se desde cedo à condição de mito – facto reconhecido humildemente pela Cromos da Bola, SAD. A sua presença em campo significava um bom espectáculo. Hoje a sua presença fora de palco significa uma boa pizza. Caccioli estava de facto destinado para grandes feitos. Os adversários tremiam com o brilho da sua careca refulgindo ao sol e os colegas bebiam os raios de luz que saíam dos seus pés sob a forma de bolas de Berlim carregadas de açúcar e creme. A cabeça de Caccioli apenas pensava em futebol, passes rasgados e tabelinhas mágicas, pelo que nem havia espaço para o cabelo crescer em terreno futebolisticamente tão fértil.
Cientes que Caccioli era o Rei Midas de Famalicão, o plantel apressou-se a engendrar uma estratégia de capitalização do seu maior activo – ou seja, seria possível multiplicar o efeito-Caccioli? O plantel elaborou uma petição nesse sentido e a resposta foi um retumbante “sim”.
Não foi sequer preciso recorrer a gente rebuscada, como políticos, músicos ou apresentadores de TV. Nada disso: a resposta estava no próprio plantel. O seu nome era Luís Miguel. Podia ter sido um Carlos Alberto ou Pedro Alexandre qualquer, mas o escolhido foi Luís Miguel. Uma vez designado por unanimidade o novo Caccioli, Tanta, Lula e Ben-Hur retocaram Luís Miguel. Deram-lhe uns encontrões, cortaram-lhe o cabelo à chapada, pisaram-no aqui e acolá, mandaram-lhe uns quantos berros bem dados e Luís Miguel ficou pronto.
Estava lá tudo: a pose, a calvície e o olhar de desafio ao sol. Luís Miguel era a sósia que Caccioli nunca sonhou ter no próprio plantel.
Mas Luís Miguel não aguentou a responsabilidade. Não estava preparado para ir aos céus tão repentinamente. Ao fim de seis jogos, os seus nervos quebraram e Luís Miguel ficou feito em fanicos. Há quem diga que foi o Tanta, o Menad desconfiou do Lula, o Ben-Hur assobiou para o ar. O certo é que Luís Miguel não conseguiu ser o Caccioli que todos desejaram. A petição, contudo, tinha sido um sucesso sem paralelo.

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Boavista Vice

Dois homens, dois justiceiros.

Paladinos de padrão xadrez pintando o golo a tons pastel sob a égide da lei.
Esgares de superioridade envoltos em fatos Armani.
Olhares determinados sob Raybans apontados à linha de baliza.
Suaves e silenciosos, deixam o seu cunho pessoal gravado a néon pluricromático nos traseiros dos zagueiros adversários.

Richard Daddy com classe mata, Marlon Brandão com distinção esfola.

Espalhem o perfume Paco Rabanne pelas outrora insalubres sarjetas do resultado nulo e dos marcadores inalterados.

Porque eles vêm aí, e vêm de sapatinho italiano calçado.

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

Festa da Taça

Este post simples e eficaz quer homenagear 2 cromos da bola que entraram na festa da taça, através do descohecido Monsanto, da II Divisão B.

MARÇAL - campeão pelo Boavista, a sua carreira foi sempre a descer, mas lá está de novo na ribalta. Todos se lembrarão do cabelinho amarelo, perinha amarela...um visual sui generis no Setúbal. Passou ainda por Felgueiras, Ovarense e até pelo Lixa!


VÍTOR ALVES - Ex guardião da Académica de Coimbra, jogou até final dos anos 90. Era o eterno suplente da equipa dos estudantes, atrás de Tó Luís, Sérgio, Pedro Roma...

mas jogou com Latapy, Lewis, João Tomás, Febras, Dário, o grande Dinda... entre outros. Vítor Alves deve ser um baú de boas histórias cromáticas dos relvados portugueses...

Obrigado Taça por trazeres para a montra do futebol verdadeiros monstros da bola.

Sexta-feira, Outubro 16, 2009

É Petrogal, Ninguém Leva a Mal

Era uma vez uma jovial agremiação de Leça da Palmeira, solarenga, alegre e com futebol para encher a nação inteira. Lá dançavam futebolistas aos pontapés, vitórias brotavam pelo País de lés-a-lés.
Havia Róscar, Chico Nelo e Nando; havia galhardia e até um Armando. Tempos felizes, tempos de fartura; caçava-se perdizes e degustava-se a gordura.












Róscar, o despenteado porém sonhador petiz, desenhava uma promissora carreira a giz. Quem chegou o apagador ao quadro e rasurou esse futuro, não seria com certeza um fã de kuduro.
Seria possivelmente um adepto da chanson pimba, tal como Chico Nelo. O irrequieto vagabundo de capilar monumento canalizava energias de Nel Monteiro, o popular portento.
Chico partilhava a meia-lua com o virtuoso Nando, a proverbial voz de comando. O semi-calvo fantasista de cariz ofensivo servia o couro aos avançados, qual garçon ofertando um aperitivo. Quem não se lembra desta criativa mente de pornográfica chuteira fluorescente?












Mas também de Serifos se fazem as conquistas. Avançado acutilante, esculpido em carvão e transformado em diamante. Monarca leceiro, Weah da Petrogal, ídolo dos adeptos pese embora o golo não ser ocorrência normal. Tão grande era a sua popularidade, que o Windows dedicou uma font à sua genialidade. MS Sans Serif? Homessa! "sans" o "Serif" ninguém se recorda do Leça!
Outro artista com nome de Rei: Jordão era um imberbe reguila, mas já impunha a sua Lei. Sem pistola no coldre ou chapéu de cowboy, a cerebral promessa era adepta do não mata, mas mói.
Sobra-nos o nome de Jarrais. Sempre sorridente, de pêlo sedoso e sobrancelhas bestiais.












E já que falamos em bestiais, recordemos o senhor de bigode que aconchegava o banco de Vladan em dias pares, ímpares, tardes incomuns e noites normais. Bestial era o seu nome do meio, bestificante a sua elasticidade, e felina era esta nossa besta incapaz de abocanhar a titularidade.
A palavra bigode, substantivo de inusitada importância, teria sempre que vir acompanhada deste elemento de superlativa militância: Matias, o valoroso central - betão armado no cerne da defesa, arranha-céus de pilosidade supralabial.
Utensílío de lavoura, ou membro da resistência timorense? Grite-se Alfaia, qual Xanana reclamando a independência. A talhe de foice, houve timorenses falsos de Vera Cruz mascarados; lembro-me de Esquerdinha e Ronny, laterais malfadados. Mas conterrâneos de Gusmão só houve um, com nome de tambor de Maracatú e duro como uma cana de bambú.












Para finalizar o passeio, revejamos apenas as luvas de aço na esfíngica figura do gigante vivaço.
Vladan, o colosso sérvio de irascível temperamento, temível aranhiço que rechaça bolas a contento. Um homem duro, de granítica expressão, que não admitia miminhos ou festas, mesmo vindas de um campeão.
É verdade, um campeão europeu que habitava em Leça e não se chamava Amadeu. Seu nome era Festas, coberto de glória em 1987, galhardo central no relvado e com soltura na retrete. Experiente, mandão e de franjinha impecável, perante os avançados já não era nada amável.
Para oferendas aos cientistas do golo tínhamos o Isaías, uma versão sem bigode do Matias. Um simpático central de aspecto relaxado, e um respeitável penteado amiúde bem cuidado.

Assim abandonamos Leça da Palmeira, despedimo-nos dos hombres da IMOLOC e da Divisão Primeira. Aguardamos o regresso algures pela Exponor, com Vinha, sem Vinha, mas sempre com muito amor.

Terça-feira, Outubro 13, 2009

A Malta de Alverca 1997 - parte 1


A propósito de jogarmos contra Malta amanhã, há uma malta que vale a pena falar ... Alverca 1997 - Uma boa colheita sem dúvida.
Para começar, esta equipa tem um mister de Luxo, MÁRIO WILSON!! "Qualquer treinador pode ser campeão no Alverca" terá dito este sábio mister.

12 anos após essa época, vale a pena olhar para as fronhas desta malta.
E que malta!
Localizando e contextualizando, o Alverca estava na II Divisão de Honra (mas que Idalécio nome). Após uma epoca com Mário Wilson e José Romão como timoneiros, a ambição era grande. Não poderia subir à I Divisão, como satélite que era do Benfica, mas então era um viviero de futebolistas com largo futuro.. atenção que largo nao significa bom!

E entao olhem só para esta defesa:

- Hugo Costa: prometedor, o novo F. Couto, escolas da Luz, Selecções jovens qb.. Nascido no Tramagal, cedo tramou que queria ir para o Benfica. Hoje em dia joga no Pinhalnovense, depois de passagens por clubes europeus como o Atromitos Yeroskipou, Stoke City e RW Oberhausen. Agora joga no clube de Pinhal Novo, para pelo menos sentir que rejuvenesce e o futuro será mais risonho. Mas em 97, 30 jogos no Alverca.

- Nélson Morais: Defesa direito, escolas de Corroios, mas mais um que vai para a Luz e conclui a sua carreira de junior no Benfica. Na selecção é presença assídua.. Veloz, baixo, ágil, parece ser um lateral à Roberto Carlos. Mas mais uma vez, Alverca, Campomaiorense, Leiria.. e o fim no Seixal, ainda com 30 anos! Pobre Nelson Morais... Mas em 97, foram também 30 jogos no Alverca.

- José Soares: Mais uma promessa. Neste época de 97 faz também 30 jogos. Em grande Ze´!!Mas onde começou Zè Soares a carreira? Começa na sua terra natal, Elvas pois então! E depois muda-se para... ora lá está ! adivinharam , é a escola da Luz, sempre muito profícua. BBBBBBBBenfica!! E depois lá começam os Famalicões, os Alvercas, o Campomaiorense (o célebre duelo com Jardel.. inesquecível) , o Aves,.. e depois a óbvia internacionalização.. começando pelo Istres de Frauunça, mas que nao deu para sentir-se um verdadeiro emigra. Pelo que logo a seguir, toca a ir para a Alemanha jogar no Schweinfurt!! Bem, nao estava a ser muito positivo.. e porque não ir até à terra do pittrólio? Arábias é sempre espectacular. vai daí, All-Itthiad e Al-Shamal foram os novos estádios que viram Zè Soares em todo o seu esplendor. Jardel é que ja sentia falta dele em terras de Campomaior, por isso pedi-lhe "Ei, Zé, cára, veim para Portugaul novamentchi! Elvas precisa di tchi!!. Quem sabe a Manuela Moura Guedes nao o chama para ume entrevista !!" E José Soares, grande amigo de Jardel, acabou por regressar ao seu clube natal. Mas a TVI não quis nada com ele. Eis que a meio do ano, surge um convite para conhecer a bela India! E o Caminho das Indias leva-o ao Salgaocar... nao , nao é um stand. é mesmo um clube. Bem... era qualquer coisa que queremos pensar que era um clube..!

Toda a aventura tem um fim e Zé regressa novamente. Por isso, Elvas volta a vê-lo jogar!! Excelente, amor á terra... ups.. eis que surge o convite do Badajoz! E voilá, emigrante de luxo em Esspanha, mais um!!!
Pelas últimas notícias que conseguimos apurar, consta-se que este ano Zé Soares passa o dia a cantar "Ó Elvas ó Elvas, Badazóoooooooz á vista... sou contrabandista de cortes e carrinhos ao Jardel, transporto no peito o embelema dos carameloss.. o embelema dos caramelooooooooos, o embelema dos carameeeeeeeeeloooooss! "


Domingo, Outubro 11, 2009

Arte Bué Pop

Warhol e a sua musa, Marilyn Jesus. Luís Filipe Vieira, confrontado com os quinze minutos de fama do seu treinador, admitiu, resignado: "Deus dá dentes a quem não tem nozes". E assim matou duas cajadadas com um coelho só. Pois é. Em casa de pau, espeto de ferreiro.

Mona Mendes

A velha questão que atormenta a humanidade: de que sorri Milton Mendes?

Sábado, Outubro 03, 2009

Três Faces da Mesma Moeda



Terça-feira, Setembro 29, 2009

A Família

O futebol é uma grande família. Porém, por razões várias, alguns podem ser tratados como um guarda-redes perante a atabalhoação de Birame (tardes tranquilas onde dava para piquenicar na pequena área) e outros tratados como se fossem marcados pelo pragmático Sérgio Lomba (o que implicaria, no mínimo, uma lata de spray milagroso e muito gelo nas canelas, só para citar o paliativo mais imediato).
Existe então uma dicotomia na forma como os diversos jogadores são acolhidos pelos restantes agentes futebolísticos. Para designar esta dualidade de critérios (olá, sr. árbitro), costumamos dizer à boca-cheia, e recorrendo a uma alegoria de cariz familiar, que “alguns são sobrinhos e outros são enteados”.

Este jogador não escondia esse facto. Ele levou essa expressão a peito. Ele era mesmo, clara e objectivamente, um Sobrinho. Assumiu-o de forma cabal. E por causa disso era olhado de soslaio. Andava sempre “ó tio, ó tio!”, qual Donald atrás de Patinhas. Apesar de jamais ter alcançado o patamar de enteado, conseguiu ser internacional sem nunca ter tido padrinhos.



Já este jogador é alguém muito próximo de nós, visto que todos nós somos primos segundo uma teoria de inspiração bíblica. É verdade, nós não somos Albertinos nem Margaridos, somos primos. E por isso Primo é-nos muito familiar. Toda a gente gostava de brincar ao quarto-escuro com as suas irmãs, que eram as primas. Incluindo o treinador e todos os não-convocados. O Primo é primo de corpo e alma. O Primo é primus inter pares.


Ainda mais abrangente era Parente. Mesmo que fosse afastado, Parente estava por lá. Era Sobrinho e Primo e mais qualquer coisa. Parente reclamava sempre um quinhão de qualquer herança. Estava sempre presente nas convocatórias, pois ninguém se atrevia a deixar um parente de fora. E fartou-se de ser convidado para casamentos e baptizados onde não conhecia ninguém.

Eu por acaso tinha um parente que se chamava Horácio.

Não, não era este, mas este tinha um bigode. Além do mais, este era português e jogava no União da Madeira.
Dada esta especificidade, o Horácio não podia ser catalogado como sobrinho, primo ou mesmo como parente. A categoria de Horácio apenas se podia medir na escala de Horácios.
Um case-study, portanto.

Quinta-feira, Setembro 24, 2009

Au Revoir

Da Ponta Grossa chegaste, e de fininho saíste. De permeio, quebraste corações. Furaste redes. Deixaste marcas inusitadas gravadas a paixão e uma insaciável sede pela arte do golo.
Porque no fundo foste um artista.

Nem sempre esteticamente belo, é certo. Por vezes caótico e desordenado como um Jackson Pollock, mas nunca deixavas a tela por preencher. Colorida, a óleo, guache, ou com um simples pastel, a tracção total da tua arte não deixava ninguém indiferente. Eras um chiaroscuro num Mundo de sfumatos.

Eras Severo com os defesas contrários, que fraquejavam na marcação com o simples vislumbre das tuas golas levantadas ou camiseta escarlate. Serias tu uma alucinação ou Old Trafford teria feito uma visita à depauperada liga Nacional?
Um ameaçador "au revoir" ecoava nas ocas mentes de todos esses centrais que ensandecidos julgavam poder travar a tua sede pelo pote. Tristes coitados. Joelhos tremiam, olhos humedeciam, e tu - sem piedade - aguçavas a tua imparável paixão pelo horizonte. O teu horizonte tem quatro letras e chama-se "golo".

De cabeça présque rapada, gola levantada e um casual desprezo pela profissão que te põe o bagaço na mesa, tu puxas a culatra atrás e disparas.
Um tiro? Prefiro chamar-lhe um beijo. Um beijo de morte, um beijo de paixão, de desdém, de amor-ódio. Um ácido beijo que corrompe as outrora doces redes que separam o esférico das bancadas após ultrapassar a linha delimitadora da glória.

Ao fim e ao cabo, é de glória que tratamos. De grandiosidade. Da arte, da vida, da solidão da genialidade e da inspiração que bebemos da fonte divina. Tu, amigo, foste Deus e Diabo. Apagaste incandescentes Luzes e derrubaste graníticas Antas. Sentaste Zeus a teu lado e degustaste com ele um opíparo manjar. Persuadiste Vénus a partilhar contigo uma quente noite de paixão.

Ensinaste a arte do esférico ofício a bancadas de incautos simplórios que só queriam ver a sua equipa vencer. Porque futebol é muito mais que isso. Muito mais que vencer ou perder. Tu crias, tu destróis. Fazes mitos nascer com um mero olhar determinado - gélido na sua expressão, quente na sua profundidade. O desporto não existe. O desporto és tu, e o teu pincel. De Ponta Grossa ou fina, o Mundo é a tua tela e a bola o teu veículo.

Ensina-nos, Cantona de Paranhos. Sorri, no típico esgar jocoso dos predestinados. Levanta as golas e fura as redes. Dobra os postes. Verga os defensores. Porque entre nós público, e tu artista, não há cumplicidade. Há desprezo e admiração, há voyeurismo e genialidade. Há sedução.

Nunca deixes que te digam que foste uma mera imitação. Um falso ídolo de pés de barro, um Buda comprado na Feira de Espinho. Nada disso.

Tu és a vida. Severa como ela só sabe ser, marcante como só ela pode marcar.
Tu és Severo, Marcos. De bola no pé, e golo no placard.

Au revoir.

Segunda-feira, Setembro 21, 2009

Do Rocky I Ao Rocky VI

Por Javier Balboa

Rocky I – O Schuster disse-me que não contava comigo para o Real Madrid. Não me surpreendi: eu vi logo que o gajo era racista. De alemães não esperava outra coisa. E então fui dar uma volta. Estava eu a ouvir Bob Marley lá para os lados do Paseo de la Castellana quando um tipo cheio de estilo me abordou. Olhei-lhe para os óculos escuros e para a camisa aberta, cheirei-lhe o óleo que escorria das suas melenas e desconfiei logo: “Mau, queres ver que vou ter que aturar com ciganos a estas horas!...”. Mas o tipo não era cigano. Dizia que era o Rui Costa do Maior Clube do Mundo e tal e eu pensei bem e disse-lhe que não conhecia nenhum Costa no Real Madrid, e ele, ah e tal, mas este é que é mesmo o maior clube do mundo e o camandro, e eu “’Tá bem, ‘tá; vai mas é dar uma volta” e ele sacou de uma mala com 4 milhões e eu então rendi-me às evidências e tornei-me no novo Eusébio, o último de uma longa linhagem, contou-me o Costa. Eu só me lembrava do gajo do Barcelona que nada tinha a ver comigo, mas não quis contrariar. Preparei a bagagem e parti para o oeste bravio, para aquela terra a poente da Andaluzia, em busca de um papel que revitalizasse a minha carreira.

Rocky II – Fartei-me de ouvir “Eye Of The Tiger”, dos Survivor, nos primeiros dias em Lisboa. Tan. Tan-tan-tan. Tan-tan-tan. Tan-tan-taaaaan. Raio da música, é mais velha do que eu e os Survivor foram apenas um pouco mais que uns “one-hit-wonder” dos anos 80. Devia ter-me apercebido deste mau agouro. Mas o pessoal via-me a saltar à corda e a subir escadas e delirava. Tudo parecia correr às mil maravilhas e eles ainda não me tinham visto sequer a tratar uma bola. Claro que houve alguns mal-entendidos pelo meio. Houve um adepto que me disse que gostava mais de me ver a matar russos e eu respondi-lhe que esse era o Rambo, eu quanto muito seria o Rocky, mas era tudo Stallone e tudo bem, tem a sua graça. E houve um que me disse que tinha gostado de me ver no filme d’ “O Predador”, mas eu disse-lhe que esse era do Schwarzenegger e ele, “não, pá, não ‘tou a falar do herói…. tu não eras o monstro?”. E então amuei e fui jogar Playstation com o Mister Flores, que era um craque na matéria e nunca dizia que não a um jogo – isto até a Orsi Fehér começar a aparecer lá por casa do mister a querer jogar connosco, altura em que o Mister se tornou mais distante e estranhamente salivante da boca. “Solo tengo dos comandos, tío”, desculpava-se, enquanto me batia com a porta na cara.

Rocky III – Foi muito difícil adaptar-me à língua portuguesa. Um gajo vem habituado a ouvir “ipor la derecha!” e depois ouve um tipo a dizer “encosta-te à direita!” e dá por ele a centrar a bola contra o passarão que estava no último anel. Com o passar do tempo, comecei a ser menos respeitado que esse passarão. Um dia o Costa virou-se para mim e disse-me “tu hoje vais dividir a tua ração com a Vitória, que isto dos alimentos para animais está caro e ando a contar os tostões para fazer mais uns quantos milhões e contratar um espanhol de jeito” e eu calei-me e não comi durante dois meses. Depois formaram uma espécie de Soweto na Luz e fizeram com que eu, o Makukula, o Adu e o Zoro fôssemos amigos à força. O Binya era para se juntar ao gueto, mas até o Costa achou que isso poderia dar azo a uma acção do Corpo de Intervenção da PSP. O Yu Dabao também passou por lá, mas depois arrendou uma zona comercial de 400 m2 com a família dele e foi montar o seu negócio. O Mister Flores meteu-me a titular pela primeira vez num jogo de uma taça esquisita e eu fui para lá apostado em mostrar o meu valor. Mas eu já estava demasiado acostumado à Playstation e passei o tempo todo à procura de um monitor e com os polegares metidos para dentro. Ao fim de 37 minutos de muito gritar e esbracejar, o Mister retirou-me e eu fiquei muito triste e nunca mais fui jogar Playstation à casa dele. A Orsi que o ature.

Rocky IV – O Mister Flores foi-se embora e as pessoas lamentaram muito e acenaram muitos lenços na sua despedida, mas perderam logo toda a lamechice quando foram buscar o “Exterminador” para Mister. Percebi logo que tinham mudado o paradigma de filme de acção. Eles não queriam humanos, queriam máquinas. Comecei a sentir o tapete fugir-me debaixo dos pés. Mas tinha sido apenas um sonho. Quando acordei, o que me tinha mesmo fugido era o recibo de vencimento. E eu, ó diabo, tu queres ver?, fui falar com o Costa e ele, ah e tal, agora não dá, dói-me a cabeça, estou com o período, tive um dia de trabalho muito stressante, nem sequer fiz a depilação, querido, e eu, ai, ai, ai, onde é que eu já ouvi isto?... e confirmou-se, o Costa, esse promíscuo, andava com outros e já não queria saber de mim para nada. E eu assumi uma posição de força e fiz-lhe ver que “eu sou o Balboa!” e ele “pois, está bem, e eu sou um ganda director desportivo, queres ver?” e eu constatei que mais nada havia entre nós os dois. Rasguei a fotografia que tinha na minha carteira e chorei muito, mas que se lixe, directores desportivos há muitos e eu sabia que ainda tinha muito para dar à Playstation.

Rocky V – Tentei ir jantar fora mas disseram-me que os cães não podiam entrar. Eu disse-lhes que não era um cão, era apenas um extremo espanhol de cabelo esquisito e eles responderam que vai dar ao mesmo. Cheguei a casa e o senhorio tinha-me despejado, alegando que eu nem sequer possuía personalidade jurídica. Procurei arranjar casa numa habitação social mas os ciganos disseram-me que eu era má vizinhança e tive que me arranjar no barracão dos No Name até rebentar uma bomba que o destruiu completamente. Agora o meu grande amigo é o Jorge Ribeiro. Nem sequer é o Maniche, é o irmão mais novo dele, o tipo que levava na tromba do Maniche. Não posso ir mais abaixo. O Costa mudou o número do telemóvel e disse-nos que não podemos ir ver os jogos porque temos mau karma e também porque cheiramos mal por não termos dinheiro para pagar a água e tomar duche. Não nos deixaram entrar nos balneários, acusando-nos de termos pé de atleta e que isso era um fungo muito contagioso quase do tamanho do Saviola. Como também não nos deram bolas nem pudemos utilizar os campos de treino, eu e o Jorge Ribeiro entretivemo-nos a jogar à sardinha numa bancada inacabada do Seixal das 8:30 às 18:00. Um dia jogámos à macaca e ganhei com tanto à-vontade que o Jorge ficou muito triste. Dei-lhe o pão com fiambre que iria ser a minha ceia de Natal só para o ver mais arrebitado.

Rocky VI – O futuro pertence a Deus, que é como quem diz ao Costa. Ou seja, esperam-me longos meses nas filas do Centro de Emprego e Formação Profissional. Equacionava entrar no programa das Novas Oportunidades, mas o Costa tem medo que eu vá para o Porto. O Evangelista do Sindicato diz que eu sou um burguês com uma cláusula de rescisão de 20 milhões e que tem saudades de falar à televisão com o Jardel ao lado e uma piscina ao fundo. O Jorge anda esquisito, noutro dia vi-o a falhar penalties imaginários na Sopa dos Pobres e a rir-se para si mesmo. O Costa faz de conta que não me conhece, mas eu sei que o seu coração, lá no fundo, ainda bate por mim. Afinal, 4 milhões não se podem esquecer assim de um momento para o outro. O Exterminador não nos pode ver à frente, nem a mim nem ao Jorge, e quando nos vê ao fundo começa logo a dizer “voceses os dois, quero que desamparem a loja e não aparecem cá nem nos intervais dos jogues, ‘tá bem?” e eu não percebo nada mas sei bem reconhecer a fúria de um Exterminador quando olho para aqueles olhos vermelhos. Sem dúvida, o Benfica está a ser o maior filme da minha vida.

Sábado, Setembro 19, 2009

Cartazes Eleitorais

Caneira deu o pontapé de saída.
Os cromos entraram em campanha eleitoral.
E que fabulosos portentos técnicos observamos nos outdoors que tapam a paisagem.
É isto a política-espectáculo que leva gente às escolas primárias ao Domingo para votar.
Ponham os olhos nisto, meus senhores.

Quarta-feira, Setembro 16, 2009

Não há Fumo sem Cromo

Sporting Clube de Portugal: viveiro inesgotável de semi-inconsequentes talentos distribuídos de forma carinhosa e baratucha pelos maiores clubes Europeus; poço sem fundo de extremos velozes, azeiteiros e tecnicistas; professor dos mais brilhantes alunos da ciência que é levar uma multidão ao orgasmo colectivo através de uma finta de corpo...porém, nem todas as árvores deste pomar dão maçãs reluzentes. Umas têm bicho, outras são farinhentas, e outras sofrem dessa terrível doença que afecta frutos promissores um pouco por todo o pomar de Alcochete: A Gisvite.

No início do Século XXI, uma solitária maçã caiu longe da árvore que lhe deu a vida. Rebolou enlameada, até parar seu percurso junto de um qualquer agricultor que a enviou prontamente para um périplo que passou pelos deprimidos quintais da Maia (pré-Carlos S.), Póvoa de Varzim (pré-e-pós Alexandre) e Faro (pré-posição).
Confirmava-se. O agricultor de Alcochete queria a sua maçã longe das outras, não fosse ela contaminar todo o seu promissor pomar com a terrível Gisvite.

Essa maçã chamava-se Fumo, e os seus sonhos foram-se lentamente esfumando (heh...) à medida que os sintomas da terrível Gisvite se tornavam mais evidentes: visão periférica de jogo afectada pela Doença de Cid, José; recepção de bola a fazer lembrar a ganadaria Higino Soveral; e discernimento em campo semelhante ao jornalista que teve a ideia de fazer a reportagem com o pastorzinho cujo sonho era conhecer a então Mega-Estrela Mantorras.

A Gisvite era uma evidência, e assumia-se galopante.

Perante a fortíssima possibilidade de registar menos evolução na carreira do que o papel higiénico ao longo das décadas, o tristonho Fumo ponderou assumir a sua humilde condição de maçã bichosa, e manter-se à parte do verde pomar que o viu nascer. Mas a vontade, essa, continuava a ser muita. Quem nunca sonhou jogar ao lado de Didier Lang que levante a mão. Pois é... ("tu não contas, Diego Armando, baixa lá isso que já criaste problemas que chegassem aos ilhéus com essa mania.")

Perante esta realidade, os agricultores de Alcochete tomaram uma decisão drástica: boicotar a carreira desta maçã, para que nunca mais sonhasse aproximar-se do seu precioso pomar.








Os tentáculos do verde polvo cedo se espalharam pela Europa, e a UE foi o primeiro passo:

- "Bruxelas Propõe Europa sem Fumo", vociferavam as agressivas parangonas, "(...)a proposta de recomendação hoje adoptada pela Comissão Europeia insta os 27 a agir em "três frentes principais", a primeira das quais a adopção e aplicação de "leis que garantam a plena protecção dos cidadãos contra a exposição ao Fumo em locais públicos fechados, locais de trabalho e transportes públicos(...)"

O avançado moçambicano sentia-se como um John Rambo de 69kg. Renegado pelos seus, impedido de exercer a sua profissão, e impossibilitado de andar de autocarro, Fumo sentia-se perdido: "E agora, como hei de ir ao Pingo Doce comprar mais daquele delicioso chouriço?!? De bicla? Poupem-me!", foi a sua primeira gota de exprssão de dor. Mas havia mais.
Até a normalmente ponderada Comissária Europeia da Saúde, Androulla Vassiliou, alinhou na perseguição ao móvel atacante ex-Sporting:

- "Estou plenamente convicta de que todos os cidadãos europeus sem excepção merecem ser plenamente protegidos contra o Fumo. (...) trabalharemos em conjunto com os Estados-membros para concretizar esta convicção."

Perante esta enxurrada de comprometedores factos, ecos fizeram-se ouvir:

- "Agora é que nunca mais te chegas perto dos nossos incautos rebentos, sacripanta.", regojizava-se em Alcochete.

- "Não era mais fácil atirá-lo das escadas abaixo?", questionava-se na Invicta.

- "Passa o garrafão, ó Toni!", balbuciava-se na Luz.

- "O Yulian tinha uma penca que Ai Jesus!", queixava-se Zé Mota em Paços de Ferreira.

Mas Fumo, estóico, não alinhava no mesmo diapasão (apesar de Marante ser o seu artista popular favorito). O africano, apostando na sua própria agência de contra-informação, conseguiu permanecer em Portugal durante mais quatro épocas, sob o radar das divisões secundárias e do nariz do Yulian (que era mesmo bastante grande, o Mota tem razão).

Porém, os verdes tentáculos sentiram um leve odor a queimado. Primeiro pensaram que teria sido um bolo que Pedro Barbosa teria deixado no forno, mas rapidamente chegaram à conclusão que o Cruyff de Gondomar jamais se esqueceria de um bolo em sítio algum.
Assim sendo, só poderia ser mesmo cheiro a Fumo.

Rapidamente agiram, e lançaram a seguinte lei, de pronto aplicada no Alvalade XXI:

- "De acordo com o decreto Lei nº 37/2007, é proibido Fumo nas zonas de restauração do Estádio, bem como nos corredores de circulação e escadas. No caso particular dos Camarotes deixa-se ao critério dos detentores o Fumo no seu interior, sendo que nos casos em que a opção for positiva, deverão mater a porta de acesso ao corredor fechada."

Sentindo a careca (que efectivamente não tem - senão seria o Semedo) a descoberto, o avançado ao serviço do Olhanense pôs em marcha um processo que acabaria com a sua transferência para o Chipre, onde estaria a salvo tanto da mafia verde, como do punho opressor da UE, visto que ele era da opinião que o referido País não faria parte da União Europeia - sejamos francos, desde que isto se avacalhou até aos 27 membros, que já ninguém tem a certeza de nada.

Assim, lançou mais uma inteligente campanha de contra-informação, desta feita através do bigode de Isidoro Sousa:

- "(...) o presidente do clube algarvio adiantou que o atleta “encontra-se na Síria desde ontem a fazer testes médicos” e não em Israel, como inicialmente estava previsto. “De momento está tudo a ser tratado com o empresário do jogador e desconheço o nome do clube que vai representar”, confessa Isidoro."

O bigode algarvio confessou, e quando um bigode algarvio confessa, nós ouvimos.
Alívio foi a reacção vinda de Alcochete. Os agricultores responsáveis não sabiam bem onde ficava a Síria, ou mesmo Israel, mas "deve ser daqueles sítios onde se lançam bombas e onde mora o Kassoumov".

Sossegados com a ostracização do fumegante delantero, os dirigentes leoninos decidiram guardar os tentáculos no bolso e deixar o futebolista prosseguir a sua esfumaçante carreira bem longe.

De toda a forma, Fumo veio recentemente repudiar comunicados trazidos à baila já durante os anos de 2008 e 2009, a saber:

- "A proibição do Fumo em espaços públicos ou de trabalho está a traduzir-se no decréscimo da afluência de doentes a emergências hospitalares em países que adoptaram a medida", diz um relatório da Organização Mundial de Saúde.

- "(...) distúrbios entre o Mannheim e a segunda equipa do Kaiserslautern resultaram em 36 detenções e oito elementos policiais feridos(...) os incidentes continuaram na estação de comboios, com os adeptos do Kaiserslautern a lançarem bombas de Fumo."

- "A eleição do novo Papa foi anunciada hoje às 17:50 pelo Fumo branco da chaminé da Capela Sistina mas os sinos da Basílica tardaram a repicar. Inicialmente, as imagens do Fumo transmitidas em directo pelas televisões induziram em erro - o Fumo parecia negro, e não branco, só aos poucos "estabilizando" nesta última cor."

Alcochete negou qualquer envolvimento nestas questões.

Sexta-feira, Setembro 11, 2009

Mercados II

Mantorras é o novo CEO não-executivo da Siderurgia Nacional – numa arrojada remodelação organizativa, a Siderurgia Nacional cooptou o avançado angolano Pedro Mantorras para seu novo CEO não-executivo. Uma fonte ligada à Siderurgia revelou que “esta designação insere-se na nova filosofia de marketing da empresa, apostada em adquirir uma imagem mais moderna e menos, digamos, enferrujada, junto do grande público”. Pedro Mantorras, apesar das suas fracas qualificações académicas e do seu microscópico tempo útil de jogo, é conhecido por ser a estrutura metálica mais famosa das imediações do Colégio Militar e pelo poder de motivação junto de franjas mais impressionáveis da população. As peças do angolano já foram inclusivamente avaliadas em cerca de 90 milhões de euros, mas nesta altura Mantorras deverá apenas receber uma quantia não revelada de óleo para as juntas e de dispositivos anti-magnetizantes.
Mantorras, neste seu novo cargo que foi criado especialmente para ele, não terá sequer que comparecer nas reuniões do Conselho de Administração. A mesma fonte apontou que o grande e único objectivo é que Mantorras “consiga dar uma dúzia de passos consecutivos em cada aparição pública, o suficiente para dar uma excelente imagem da enorme fiabilidade dos nossos produtos perante vários milhões de adeptos, tanto os animais como os vegetais”. No longo-prazo, espera-se que “[Mantorras] seja mais reconhecido como produto metálico de características humanóides” do que como “um avançado engraçado”, algo que deverá garantir à Siderurgia “para além duma publicidade monstruosa e barata, o direito a um subsídio comunitário pelo investimento tecnológico, no âmbito dos Quadros da Apoio da UE actualmente em vigor”. À hora do fecho da edição, Mantorras encontrava-se em fisioterapia num alto-forno, sendo impossível recolher reacções. Carlos Azenha descobre o seu primo nas últimas captações – a aturada prospecção de jogadores levada a cabo por Carlos Azenha, que envolve pás de alta precisão desenvolvidas por um consórcio luso-nipónico que emprega 150 unidades de mão-de-obra especializada em Gavião e que conta com o apoio explícito do Ministério da Economia, parece finalmente começar a dar frutos.
Com efeito, Azenha descobriu uma laranja em bom estado de conservação na terça-feira. E na última madrugada, Azenha, enquanto recolhia elementos num ginásio suburbano, deu de caras com o seu primo, com o qual costumava brincar pelas avenidas de Moscavide quando tinha 13 ou 14 anos. Não chega para acalmar a desconfiança dos accionistas, que só após duas agitadas assembleias aprovaram o plano de negócios apresentado por Azenha, mas já é um começo. A laranja deverá estrear-se na defesa e o seu primo, por exigir um “exorbitante” ordenado de 500 euros mensais, vai apenas devolver a bola que roubara a Carlos Azenha na sua adolescência, engrossando o lote dos reprovados. “Sem ressentimentos, há ligações que devem chegar ao fim. Ainda ganhei alguns dividendos”, declarou Azenha à saída de um encontro com potenciais futebolistas nos Inválidos do Comércio.
Azenha já procurou na sua casa, na sua rua, na sua cidade, no seu distrito, na sua província, na sua região, no seu país, na Península Ibérica, Marrocos, Brasil, PALOP, República Dominicana, Seychelles e até andou atrás do Abel Xavier durante 40 dias e 40 noites, mas até agora ainda não encontrou o perfil desejado. Já foram testados seguranças, empregados de bombas de combustíveis, chauffeurs, técnicos de plastificação, desempregados da construção civil, dois deputados, três membros eclesiásticos e um orangotango sem sucesso. Azenha passou inclusivamente o limiar mínimo de exigência de “ter jogado numa competição nacional” para “não possuir doenças infecto-contagiosas nem ser comunista” e nem assim conseguiu alguém que quisesse jogar pelo que o clube (dizia que) pagava.
Azenha não pretende desarmar, acalentando esperanças numa jazida de bons jogadores baratos que poderá estar ali ao virar da esquina. Recorde-se que é difícil extrair jogadores de boa qualidade pelas bandas do Sado desde a deslocalização dos principais investidores, sendo por isso muito bem-vindo alguém, ou algo, que dê dois pontapés seguidos numa bola. Todavia, durante as suas escavações no deserto de Gobi, Azenha não deixou de reconhecer que “se não encontrar ninguém nesta areia, pelo menos aproveito-a para fazer um dique que me proteja da linha-de-água”, espreitando assim novas oportunidades de negócio.

Quarta-feira, Setembro 09, 2009

Mercados I

UBS revê estado de Guarín de “quase ameaçado” para “vulnerável” e fixa preço-alvo do próximo jornalista atropelado em cinco pontos por escoriação – “O colombiano Guarín está demasiado exposto ao risco”, escreve a UBS no seu último report trimestral. Numa tentativa de salvação, Guarín, cujas dificuldades sentidas na penetração do mercado europeu já tinham sido evidenciadas pelo decréscimo significativo do EBIT no Relatório do 1º Semestre de 2009, interpôs um processo junto das instâncias europeias, acusando de abuso de posição dominante os jogadores incumbentes. Porém, o Tribunal de Justiça Europeu decidiu desfavoravelmente e agora Guarín fica sujeito a retaliações e com um elevado serviço de dívida para suportar. Para além deste fracasso argumentativo, uma performance algo desapontante no seu core-business levou a UBS a baixar o rating de Guarín. Para a instituição suíça, existem três trajectórias em aberto para Guarín a partir deste ponto: procurar com urgência um quarto em Olhão, ser vendido por €15M ou levar um enxerto de porrada. Para Guarín a solução pode passar por estabelecer uma parceria local. O que, para a UBS, deverá obrigar a “uma protecção reforçada nos genitais, no mínimo”.

Por outro lado, e dado o grande sucesso mediático da novel campanha publicitária rodada a alta velocidade numa descida estreita da Invicta, as próximas escoriações provocadas aos jornalistas pela firma dCC (cuja Comissão Executiva é partilhada pela dupla da Costa/ Cerqueira) deverão atingir cerca de cinco pontos a atribuir no hospital da região. A UBS especula que o próximo visado “poderá ser do Record, que possui vários activos estratégicos na zona, mas também não excluímos uma investida na SIC e mesmo um repórter distraído com aspecto de Peninha pode ser trucidado acidentalmente por um Caterpillar de 30 toneladas na sua casa-de-banho”. Viram-se assim confirmadas as perspectivas optimistas de Julho, que corrigiam o efeito da sazonalidade e apontavam para um target de quatro pontos e um joelho inchado. Neste momento, a dCC segue no azul, contrariando a tendência geral vermelha do índice bolsista, cotando-se nos quatro pontos, um sobrolho roxo e uma unha negra. A dCC mostra-se confiante perante os stakeholders e empenhada em “dar muitos pontos de valor acrescentado” no exercício presente, sob o mote "who's next?"
Pedro Barbosa inaugura confeitaria de éclairs“É com orgulho que lanço a primeira pedra deste investimento que irá criar cerca de 5 postos de trabalho directos e um número indeterminado de postos de trabalho indirectos, entre dentistas, esteticistas e clínicas de peso, entre outros”. Foi assim que Barbosa se dirigiu aos convidados naquele que foi o lançamento simbólico da sua primeira confeitaria de éclairs em Freamunde. Depois do sucesso tremendo que foi a sua primeira experiência empresarial – a fábrica de croissants P.B., em Alcochete – este passo surge “naturalmente”, segundo Barbosa: “Sentia-me um pouco enjoado de tantos croissants, mesmo após ter experimentado várias massas folhadas e recheios diversos. Rodeei-me de vários e ilustres gulosos e concluí que teria de avançar para outras áreas de negócio na doçaria, sob pena de me sentir asfixiado. O alargamento para novos mercados foi inevitável". A conjuntura acabou por ser favorável: "Os termos do project-finance foram vantajosos e reuni-me com alguns experts da matéria. Ninguém no meu trabalho me pressionou para não avançar com este projecto. Muitos nem sabiam por onde eu andava. Para dizer a verdade, foi uma surpresa para todos eu estar aqui neste momento com um éclair na boca. Não está ao alcance de qualquer Director Desportivo”. A opinião de Quinito figurou entre as vozes ouvidas por Barbosa? “Certamente”, confidenciou. “Quinito é uma autoridade na matéria, um valor seguro na prova de doces. Fiquei extremamente satisfeito por ter respondido afirmativamente à nossa proposta de indigitação para Presidente do Conselho de Supervisão”.
Inicialmente, a nova unidade, que estará concluída, à imagem da velocidade que Barbosa propagou nos relvados, lá para 2020, na melhor das hipóteses, irá produzir éclairs recheados com doce de ovos ou chantilly e com cobertura de açúcar branca ou achocolatada, “sem corantes, mas com algum aspartamo de última geração, aproveitando a boleia dos recentes desenvolvimentos tecnológicos”, não estando posta de parte a confecção de rins ou até mil-folhas. Porém, e para já, Barbosa está apenas interessado em consolidar o know-how pasteleiro e não admite precipitações: “Um passo de cada vez, um éclair por cada sobremesa”. Os éclairs irão abastecer sobretudo a zona centro-norte, mas um acordo de distribuição assinado com alguns dos seus antigos ou actuais companheiros de clube poderá, com sorte, levar os éclairs Barbosa até à América Latina. Mas, por enquanto, se forem abaixo de Ermidas-Sado já é bem bom.

Quarta-feira, Setembro 02, 2009

The Gift From Above

Na maior oferenda vinda do Mundo futebolístico desde o apaixonado presentinho que Carlos S. endereçou a Beto Acosta - talvez com a excepção da gonorreia que Paris doou a CR7/9 - , o jornal "A Bola" escarrou aquilo que podemos apenas designar como uma tela pintada por Deus com um dourado pincel emprestado por Jesus Cristo.

Claro, a comparação do "outro" Jesus a um (também eloquente) ciborgue alienígena salta à vista, mas há mais docinhos para degustar.
Atente-se no cantinho dedicado ao mais recente reforço escarlate: o brasileiro Felipe Menezes, que ninguém conhece e jamais alguém viu jogar, mas que pelos vistos será a reencarnação terrena de George Best, com uma pitada (ou snifada) de D10s, salpicado a pedacinhos de Kaká.

Com o não-autarca-gaiense, regressam também as típicas declarações de reforços da imponente ave de rapina:
- "blá blá blá maior clube do Mundo!"

Estas diferem sobretudo na forma como se interpreta o supracitado "blá blá blá". No caso do brasileiro, salta à vista um coloquial e expressivo "puxa". Na minha qualidade de rebento dos anos 80, agredeço à referida gazeta diária por recuperar uma expressão que não via impressa desde os livros de BD da Turminha da Mônica ou do simpático Pato Donald. Puxa vida!

Do outro lado da rua, um natural do País da BD Salomão e Mortadela - Miguel Ángel Angulo - começa mal a carreira de leão ao idoso peito.
Sabendo ele (?) a aversão que o irascível Coach Forever tem à falta de polivalência, iniciar o seu percurso em Alvalade fazendo manchetes com uma rotunda nega a uma posição específica cheira a harakiri precoce.
Adivinha-se vida difícil para o sucessor de Robaina e Toñito.

Mas na realidade o prato forte é mesmo a mais recente encarnação de Jesus como o modelo 101 da Cyberdyne Systems. De facto, não se trata de um tema que a Mad TV já não tenha abordado no passado, mas a Sarah Connor que se cuide. Sarah, pega numa gramática da língua portuguesa e protege-te. Ouvi dizer que funciona como uma espécie de kryptonite para o cyborg em questão.

"Listen and understand! That terminator is out there. It can't be bargained with! It can't be reasoned with! It doesn't feel pity, or remorse, or fear. And it absolutely will not stop, ever, until you are dead!"












Sarah, quem te mandou conjugar verbos de forma correcta? Utilizar preposições? Prefixos, sufixos, essas modernices. Sintagmas nominais são para maricas, e utilizar o plural é um preciosismo ridículo.
Sarah, és uma provocadora. Tu afrontas, desafias.
Agora? Agora foges.
Corre. Corre rápido, e corre bem. N'Tsunda-te.
Porque ele vem aí, vem de mota, está lixado e tem um olho vermelho.

Pior, está abespinhado e só quer sofrer 7 golos - sete - até final da época.
Dá graças a Deus, Sarah...ao Pai de Jesus, o original - aquele que não andava de mota e conjugava os verbos. Porque graças a ele, o Celta de Vigo não milita na primeira divisão Portuguesa.

E perguntam vocês, "porquê esta capa e não qualquer outra?".
Sim, é verdade. Tem sido um Verão especialmente frutífero em manchetes que calcorreiam destemidas em bicos de pés a ténue fronteira entre a insanidade e a comédia não intencional.
Mas o meu coração pende para a ambição carnavalesca de transformar futebolistas da lisboeta 2ª circular em personagens de cinema, sejam eles ciborgues do futuro, Robin Hoods em Collants, ou gajos que protegem anões de pés peludos com espada tamanho XL.

Ou isto. Para mim, tudo o que venha à rede é Emílio.

Quinta-feira, Agosto 27, 2009

Cuckoo For Caca

Será que Alberto Gilardino e Mike Patton são a mesma pessoa?
Fontes ligeiramente inquinadas, mas ainda assim beberricáveis, afiançam-nos que o codicioso avançado "viola" e o regurgitante vocalista americano são efectivamente a mesma pessoa. E até nos contaram o que se passou neste mês de Agosto.
Os Faith No More estiveram, como é do conhecimento público, no Festival do Sudoeste, com Patton à cabeça. Tudo correu pelo melhor: o público gostou deles e eles gostaram de nós e do nosso vinho. Talvez até mais do vinho, mas gostamos de pensar que foi de nós. Vai daí, Patton fez uns sons vocais esquisitos que ninguém entendeu mas que queriam dizer “Pá, eu vou ficar por cá durante uns tempos, curto esta cena”. “E por quanto tempo, Mike?”, ao que ele respondeu com dois esgares, meio grunhido em falsete e um grito bastante longo que significava “Só quero pisar o palco de Alvalade outra vez, que deixei umas garrafas preciosas em cima do palco em 1992”.
Dito e feito. A 18 de Agosto, lá estava ele em Alvalade, metendo os nervos em franja ao vocalista dos A-Ha, culminando a sua actuação com um toque mágico que um determinado árbitro magiar considerou algures entre o ombro e a testa. No despique entre o rock dos anos 90 e a pop dos anos 80, um pequeno jogo de cintura fez toda a diferença. Sem dúvida: ele é um sujeito bastante multifacetado.

Sábado, Agosto 22, 2009

O Não-Golo

Estava um locutor, um comentador e um repórter a cobrir uma partida de futebol nocturna.
Quando menos se esperava, um cruzamento da esquerda, alguns malabarismos junto ao segundo poste, um mergulho em vão, uma perna e umas costas, um índio feito maluco lá na grande área e… está lá dentro.
Atravessou a linha de golo.
Encostou-se às redes.
O árbitro apontou para o centro do terreno. E não era um árbitro qualquer, era o vilão do Martins dos Santos.
Festejos e protestos.

Ao bom relato exige-se, no mínimo, que se diga de forma perceptível “GOLO” quando, de facto, é golo.
Como foi o caso.
Quanto mais não seja para os invisuais e amblíopes poderem imaginar o lance em questão com um nível de rigor aceitável.
Mas o locutor engasgou-se com a palavra, atordoado que estava a tentar discernir uma falta, um marcador, uma coisa qualquer. Naquele momento, cravar uma faca no coração equivalia a dizer “GOLO”. Era demasiado atroz que aquilo pudesse ter sido um. E meteu conversa com o repórter, procurando aliviar o seu pesar.
O repórter estava a pesquisar um dado estatístico rebuscado para se sair no próximo canto. Aquele incidente estragou-lhe os planos. Não viu bem o que quer que aquilo foi. Mas não estragou a onda e avançou com um nome, tentando discernir aquelas silhuetas ululantes lá na área. Também não foi capaz de dizer “GOLO”. Ora essa. O comentador interveio.
O comentador sabe que aconteceu alguma coisa, feito por alguém, mas não disse ao certo o quê. Houve um último toque para qualquer coisa e que foi Bermudez quem fez aquilo, mesmo sem intenção. Manteve-se seguro como quem diz “contem comigo, rapazes, eu já os conheço a todos de ginjeira, a bem dizer eu fui o único de nós que andou lá dentro, tenham juízo”.

Enfim, o máximo que conseguiram no meio de tanta estupefacção foi um fugaz “GOLO”, que salvou a sua vida fugindo por entre os dentes de Rui Loura. Queriam gajos a morrer ao microfone, exclamando "GOLO!" como se não houvesse amanhã? Queriam Benfica TV? Esqueçam, estes tipos jogaram pelo seguro e deram-nos com um banho de expressões sinónimas.
Queremos acreditar que foi por respeito ao futebol bem jogado: um golo daqueles é tão caricato que nem deve merecer honras de golo. Quanto muito, é apenas “uma bola que entrou na baliza”.
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Foi uma… coisa, pronto. Mas não foi uma… coisa qualquer: esta… coisa foi a única… coisa que o Bermudez… coisou enquanto por cá andou. É um belo cartão de visita.

Terça-feira, Agosto 18, 2009

Vota Caneira

É mesmo verdade: Caneira foi lançado às feras do mundo da política e o seu padrinho é nada mais nada menos que Fernando Seara, esse putativo candidato a candidato a Presidente do Benfica, mais conhecido como comentador que não diz os L’s e que, de vez em quando, também passa por autarca.

Os dados estão lançados e a decisão caberá ao povo de Almargem do Bispo. Este será o teste definitivo às capacidades de liderança de Caneira, que já se auto-exaltou no passado como “grande líder” e tudo… embora as suas cores políticas sejam diametralmente opostas às de Mao Tsé-Tung. De resto, a carreira futebolística de Caneira parece ir abstendo-se de grandes acometimentos à medida que caminha para o ocaso e nada melhor que um bom tacho, aham, cargo político, para livrar-se de uma vida pós-futebol dedicada à restauração e à criação de suculentos leitões, que, embora riquíssimos em valor energético, são pouco consentâneos com quem veste Sacoor Brothers e Timberland.

Segundo o que a nossa SAD apurou, Caneira começa bem, como um bom político: prometendo coisas irrealizáveis. Neste cartaz exclusivo da nossa SAD, garante que irá passar o meio-campo. Ou seja, demagogia pura. Já só falta dizer “jogo bem em qualquer parte da defesa”, “farei cruzamentos temerários na linha de fundo” ou “aquele golo ao Inter não foi sorte”.

Para além do slogan orelhudo, Caneira também iniciou uma campanha para limpar a sua imagem pública, depois de ter entrado na votação para “jogador mais feio do Mundial 2006”, a sua primeira grande experiência eleitoral. Como tal, Caneira foi visto com a socialite Paris Hilton a sair de um clube nocturno de Beverly Hills, com o intuito de passar uma imagem benquista junto do público feminino e com a secreta esperança que Hilton possa vir a recensear-se em Almargem do Bispo rapidamente e assim depositar mais um voto nele. Hilton, por seu turno, declarou-se “farta do Cristiano Ronaldo e pronta para desenjoar com um tipo com cara de low-life”. “Este ao menos não me finta”, disse, entre sorrisos que podiam ser derivados da embriaguez dela, nunca se sabe. Mais tarde, mostrou-se desiludida quando soube que, afinal, aquele não era o Karagounis mas sim o Caneira. “O dos leitões?”, perguntou. Quando dissemos que sim, ela respondeu “oh, dear…” e despejou o seu Möet & Chandon para cima do seu caniche, francamente desencantada por Caneira, apesar de jogar em muitas posições, não ter demonstrado qualidades técnicas por aí além.

Os seus apoiantes dirão que Caneira pode não ser muito veloz nas transições defensivas, mas que tem um conceito muito amplo de cidadania.
Os seus detractores dirão que isso da cidadania é muito bonito, mas, lateral por lateral, até o André Marques devia dar um melhor Presidente da Junta.

Caneira, para já, tenta seguir o livro do bom político. Quando instado pela nossa SAD a comentar o seu plano de candidatura, respondeu como todos os políticos respondem quando a resposta exige algo mais que “sim” ou “não” e os seus advogados não estão por perto: “Não comento”.

Ou em vídeo, via maisfutebol.

Sábado, Agosto 15, 2009

Baston Revisitado

Burgos, 1994

(conversa traduzida de castelhano para tagalog, de tagalog para inglês e de inglês para português)

- Sr. Presidente, posso dar-lhe uma palavrinha?
- Sim, claro, dou sempre ouvidos ao meu treinador.
- Sr. Presidente, I think we have a situation here. [NOTA: a tradução para tagalog custou-nos um dinheirão, por isso cortámos na tradução inglês-português]
- Então, como assim?
- Aquele rapaz que temos na baliza…
- Rapaz?
- Yeah, o careca de bigode que perdia sempre a jogar poker no estágio…
- Oh, thaaat goalkeeper!... O que tem?
- Estive a fazer um estudo cuidado do seu perfil, analisei bem o seu potencial, enquadrei-o face às ambições da nossa equipa e cheguei a uma conclusão.
- Que foi?
- We gotta get rid of that son-of-a-bitch. Now.
- Ooooh!... Porquê?
- Porque os testes que efectuei provam que ele é um óptimo carteiro. É mesmo o indivíduo do plantel que mostra as melhores aptidões para exercer esta tarefa. E estes testes são infalíveis. But we’re not looking for a bloody mailman to save our goal! Sir, temos que encontrar um tipo a sério, se quisermos manter a dignidade.
- Tipo o quê? Um Filip De Wilde?
- Hell no! Para já, ficávamos com o nosso suplente, que acabou de cortar 8 dedos na máquina de cortar relva, mas que é um bom rapaz e o melhor genro que um treinador pode ter, if you know what I mean.
- Acha que esse suplente dá garantias, sem esses dedos todos?
- Well, he told me that he expects his fingers to grow back until Tuesday…
- E acha que isso vai acontecer?
- Bem… Se não for Terça será Quarta ou Quinta, depende de como o Betadine actuar… Nós temos é que resolver este “caso-Baston” já! Ele está a afectar a moral da equipa!
- E para onde o vamos despachar?
- Beats me… Hey, you’re the boss, not me…
- Quem seria capaz de o receber sem levantar questões?
- E que tal… o sr. Presidente não se dava muito bem com um tipo chamado Toñino que foi jogar para um clube português, o Sporting of the Keys? Parece-me uma boa opção, tínhamos facilidade em recomendá-lo…
- That’s it! We’ll send him there! O Baston não será mais um problema para Burgos!
- Nem para Espanha!…
- God be praised!

Chaves, 1995

Ao princípio, as gentes achavam-lhe graça. “Olha, pai, parece o nosso carteiro!”, dizia a criança nas bancadas graníticas do Municipal flaviense, agitando a bandeira azul-grenat pelos ares robustos do Marão. Toda a esperança do mundo estava depositada naquele guardião espanhol, o símbolo do renascimento do Desportivo. Mas não tardou até que os calejados olhos transmontanos chorassem lágrimas de incredulidade e de desgosto profundo. “Porquê, pai? Porquê?”, interrogava-se a criança, esfregando os olhos sob o consolo paternal do progenitor, também ele vergastado pela desilusão, que lhe afagava o cabelo e a custo emitia “É apenas um pesadelo, filho. É apenas um pesadelo”.
Não. Era apenas a dura realidade.
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Quarta-feira, Agosto 12, 2009

O Tipo Que Veio Com o Sá Pinto do Salgueiros

Lembram-se dele?
Concedemos que o marido da Luísa Beirão não tem o perfil cromático de um Quim Berto, por exemplo. Damos de barato que o tipo que engatou a Luísa Beirão consiga ensinar Benítez a cruzar para outro lugar que não o sector 32B e o eterno Kasongo a escolher o perfume certo para uma saída nocturna. Até admitimos que o gajo que é visto amiúde com a Luísa Beirão seria menos desengonçado a correr que Areias e que seria capaz de desdenhar a roupa da moda que Capucho em tempos usou. Ou talvez não.
Então, o que faz o indivíduo que não larga a Luísa Beirão por aqui, nestas paragens áridas onde impera a lei do cromo mais forte, onde as vedetas são massacradas sem piedade em recontros ao pôr-do-sol, sem Rey(es) nem (Hélio) Roque, e onde a mediania bem-comportada apenas merece a nossa complacência?
Bem, há uma forte razão: o cromo ilustra um dos momentos mais altos de toda a carreira do sujeito que já deve ter visto a Luísa Beirão com (ainda) menos roupa do que a grande maioria de nós já a viu. Sim, é mesmo isso – o jogo do Sporting contra a sua lua de então, o saloio Lourinhanense.
E não dizemos “momento alto” apenas pela galhardia com que o fulano que vai para a praia com a Luísa Beirão disputa o lance aéreo contra a equipa que poderia ter sido o seu destino e que foi o trampolim para as carreiras fulgurantes de Alfredo Bóia, Viveros ou Sabugo. Experimentem escrever Lourinhanense no vosso Word e logo vêem a reacção do programa do Office – ele sublinha Lourinhanense a vermelho, atónito perante a raridade. De facto, o simpático Lourinhanense, cujo grandioso emblema, para além de um leão, de uma árvore e de um sol sorridente, faz alusão à condição de satélite do próprio clube, não merece hoje mais que umas linhas de um jornal regional, depois de ter saído da órbita do Sporting e de se ter deixado absorver pelo buraco negro do anonimato.
Dizemos “momento alto” porque somos muito nostálgicos e tu, Pedrosa, fizeste-nos relembrar os bons velhos tempos desse mistério que intriga toda a juventude e que dá pelo nome de Lourinhanense. Lourinhanense, que podia ter sido um novo Alverca, uma nova big thing do futebol luso, mas cuja conjugação cósmica assim não o permitiu. Com muita Pena nossa.
E agora dá lá os nossos cumprimentos à Luísa Beirão, por favor. Da maneira que mais preferires.

Sábado, Agosto 08, 2009

Nito Bonito - Parte II

Houve um tempo em que os animais falavam, que havia fadas e princesas e que o F.C.Porto comprava dois ou três reforços criteriosamente. E também houve um tempo em que o Nito e o Spassov partilhavam várias aventuras e desventuras, como se estivessem numa reprise de Tom Sawyer e Huckleberry Finn. Eis a segunda parte de uma das suas tropelias (1ª parte):
(aumentar)

Sexta-feira, Julho 31, 2009

The G-Spot* Tomo 2

Na ressaca da semi-massiva infusão twitteriana pelo Mundo do desporto, sentimo-nos forçados a recuperar a rubrica mais popular da Letónia e de Vila Real de Santo António, The G-Spot.

Podem parar de enviar cartas, redigir abaixo-assinados e de organizar protestos com armas de fogo na Venezuela, The G-Spot está efectivamente de volta.

O Duque do Vocábulo Simétrico do Cautchú, esse, nunca nos deixou. Pelo contrário, deixou-nos doces torrões de relva, ainda frescos e acabados de arrancar. E nós, com toda a humildade, iremos servir-vos esses mesmos torrõezinhos num plateau de ouro.

Sentai-vos, barrai os olhos com manteiga e espalhai compota no monitor, porque estais prestes
a degustar uma sanduíche de inigualável prazer cromático:


- "A Vieira só falta contratar um adjunto chamado Maomé, para assegurar vendas de kit sócio a todas as religiões. Lastimável."

- "Jesus promete Benfica a jogar o dobro. Para este milagre da multiplicação é preciso transformar água em vinho e aproveitar plantel actual."

-"A cavalo dado não se olha o dente, mas por 15 milhões Milan exige cremalheira sem defeitos antes de engrenar contratação de Cissokho."

-"Franco-atiradores verbais do futebol luso aterram no Médio Oriente. Com Pacheco e Cajuda a paz, essa, avista-se mais longe.".

-"Moutinho desconhece interesse de Real. Também Beto era dado como certo no Real a cada época balnear. Com papas e bolos se enganam os tolos."

-"Após Ramires, Patric, Shaffer, Saviola, Javi e Weldon, Jesus continua no mercado por mais reforços. Verdadeiramente, um pescador de homens."













*
twitter de gabriel alves, um simples amante da geometria desportiva

Quarta-feira, Julho 29, 2009

Cinco Estrelas da Amadora

A Amadora já não tem futebol de primeira. É tempo então para recordar algumas figuras cintilantes dos tricolores suburbanos, quando estes saíram de casa às 7:00 para apanhar o comboio superlotado da Primeira Divisão (eram 20 equipas a lutar pelo seu espaço em 1988, todas de braço no ar e odor a sovaco sem desodorizante na cara umas das outras).

Iniciemos esta missão espacial por Cartaxo, que calha tão bem na Amadora como Alhandra em Leiria ou Mangualde em Paços de Ferreira.
Muitos não se recordarão de Cartaxo. Quanto muito, lembrar-se-ão apenas dos vinhos do Cartaxo. O que é tremendamente injusto. Cartaxo foi Sideshow Bob ainda antes do próprio Sideshow Bob existir. E, extremamente importante, adicionou à guedelha insubmissa um solene bigode, emprestando uma lusitanidade ímpar à personagem.
Cartaxo surge aqui com uma espécie de halo messiânico a envolvê-lo. Mas, futebolisticamente, Cartaxo com o seu lookD.Sebastião goes to Woodstock” não salvou a Amadora do nevoeiro exibicional enquanto por lá cirandou. E, em abono da verdade, o que ele fez antes e depois da sua estadia na Amadora também não é recordado por aí além, nem mesmo pelos indefectíveis adeptos estrelistas entretidos a ouvir os relatos do Sporting e do Benfica e que não arredavam o traseiro da almofadinha na bancada. Cartaxo, decididamente, não teve muita parra nem muita uva. Mas, enfim, tinha estilo. Algum, pelo menos. Isto é, se utilizarmos um critério muito largo para o conceito de “estilo”.


Para “estilo” a sério temos os dois Marlons. Designemos o primeiro Marlon por “Marlon A”. “A” de Alves, mas também porque jogava à defesa e aparecia antes do outro Marlon nas fichas de jogo.
Marlon A era um xerife do sertão. Era durinho e tinha mão para sozinho dominar manadas com centenas de milhar de cabeças de gado, dispensando o uso de cães nas vastas paisagens de Mato Grosso. Puxava para trás o cabelo besuntado com um resíduo petrolífero a que chamava parafina com o auxílio de um pente que guardava religiosamente na retaguarda dos seus calções. O pente era um derivado de canivete suíço e também possuía uma lâmina afiada, um saca-rolhas, um cotonete e um palito de plástico – que isto de ser vaqueiro exigia preparação para todas as situações. Gostava de fazer churrascos nas selvagens ruas da Buraca e era costumeiro ouvi-lo uivar nas tórridas noites de luar da Brandoa.
Mas o que devemos reter é o facto de ter possuído um aprumado bigode. Tudo o resto perde o seu sentido perante este símbolo de virilidade.

Marlon B, por seu turno, tornou-se numa verdadeira “pièce de résistance” estrelista, Birame aparte. O homem a quem um comentador do norte uma vez se referiu como “Marlão Brandon” chamava-se, na realidade, Marlon Brandão. Consta que o pai atribuiu-lhe o nome como tributo ao malogrado actor Marlon Brando. Talvez o pai se tenha arrependido quando viu “O Último Tango em Paris”. E, vai daí, talvez não – talvez apenas tenha mudado a sua perspectiva sobre as possíveis finalidades da margarina.
Marlon B chegou e varreu o lodo que atolava o futebol estrelista com as suas longas melenas. Bradou “apocalypse, now!” às defesas contrárias e a bola era o seu grande desejo. Tornou-se o padrinho de todo o balneário, rendido que este estava às suas propostas irrecusáveis de bom futebol. Depois de uns tempos agradáveis, Marlon B fez-se à estrada e foi enquadrar-se no xadrez do Bessa durante uns bons anos, onde continuou a desempenhar os principais papéis. Ganhou um Óscar pela sua fantástica interpretação no spot publicitário do shampoo Organics, mas, rebelde, nunca chegou a receber o prémio, preferindo beberricar o seu cafezinho nas imediações da Boavista.

Rosário era pequenito e estava sempre pronto para a luta. Inspirou multidões com a sua “stamina”. Por exemplo, Didier Deschamps, que formatou a sua cara e o seu tamanho à imagem de Rosário (as semelhanças físicas são evidentes). Deschamps vira um Estrela da AmadoraPortimonense quando pensou em comprar um T2 na Reboleira e ficou abismado com a capacidade que Rosário demonstrou durante o aquecimento. Então, abandonou os planos de habitar na Reboleira (optou pela Venda Nova), voltou para França e adquiriu um “Kit Rosário”, que incluía uma máscara facial, um adaptador de tamanho, duas chuteiras e um corta-unhas. A partir daí, Deschamps deixou de ser um médio que corria muito mas não marcava golos para ser um médio que corria muito mas não marcava golos e que tinha aspecto de ser adjunto do Fernando Santos.
Aliás, durante a sua estadia na Amadora, Rosário já pouco se interessava pelo jogo dentro do campo. Rosário foi correndo e exercitando-se com afinco, mas apenas como preparação para o grande desafio da sua vida: acompanhar eternamente o engenheiro Fernando Santos. E ambos vão vivendo felizes para sempre, Santos com os seus esquemas tácticos e apertados nós de gravata e Rosário com os seus pinos e objectos de marcação variados.

Viagem que é viagem pelas estrelas não podia acabar sem uma referência ao mítico Bobó. Já sobejamente referenciado, este mito moderno desperta sorrisos entre os adeptos e funestas recordações de nódoas negras aos antigos adversários. É, provavelmente, o guineense mais famoso de sempre. É deveras curioso como os homens costumam suplicar recorrentemente pelo Bobó, apesar da sua carreira já ter terminado há bastante tempo, e as mulheres, três-meia-volta, estão com o Bobó na boca, mesmo aquelas que nada percebem de futebol. É um autêntico fenómeno de popularidade, este outrora vigoroso médio defensivo. Hoje em dia, porém, parece que nem o melhor Bobó de sempre seria capaz de reanimar o velho Estrela da Amadora.

Quarta-feira, Julho 22, 2009

A Literatura Do Futebol Português

As letras e a bola. O golo e o prefácio. Como se relacionam estes dois mundos?
Vale a pena cada cêntimo gasto a fotocopiar o livro. Forra muito bem a gaiola do meu canário (4,5/5)” – The Washington Post

Marinho Neves prova que não é preciso saber escrever para obter um best-seller. Aliás, Marinho Neves prova tudo sem provar nada (…) Devastador. (8/10)” – Le Figaro

Isto sim, é que é escrever! Já compras-te? Se não compras-te, compra já, ouvistes? (10/10)” – Leitor do “Correio da Manhã”

Sensualidade e perversão de mãos dadas, à boa maneira do bas-fond do futebol português (…) Bocage e Pier Paolo Pasolini passaram por aqui mas não pararam (8,5/10)” – Il Corriere Della Sera

Um fantástico romance de cordel de uma conceituada escritora de bordel (…) Bate a concorrência aos pontos e bate na concorrência para ganhar mais alguns pontos (4,75/5)” – Süddeutsch Zeitung

Isto sim, é que é escrever! Já compras-te? Se não compras-te, compra já, ouvistes? (10/10)” – Leitor do “Correio da Manhã”

Não acreditem no título (…) Coroado mostra que a sua memória está bem melhor que o seu sistema gástrico. Indispensável. (2,5/3)” – Het Nieuwsblad

Coroado pisca o olho a Saramago, flirta com Gabriel García Márquez, mas acaba por expulsar o Caniggia (…) Esperamos por nova admoestação (8/10)” – The Guardian

Ele diz que é do Belenenses mas cá para mim é lagarto (…) Tem muita mania (…) Acho que dava um bom cobrador de fraque (4/10)” – Leitor do “Correio da Manhã”

Os críticos ainda estão aturdidos com esta publicação, mas a nossa SAD já conseguiu, em exclusivo, um pedaço desta obra revolucionária:

Está mal escrito. Tem tudo para vender.

Domingo, Julho 19, 2009

Nito Bonito

Houve um tempo em que os animais falavam, que havia fadas e princesas e que o Benfica ganhava campeonatos. E também houve um tempo em que o Nito e o Spassov partilhavam várias aventuras e desventuras, como se estivessem numa reprise de Tom Sawyer e Huckleberry Finn.
Eis a primeira parte de uma das suas tropelias (clicar para aumentar):





(continua)

Quinta-feira, Julho 09, 2009

O Sr. Gila

Gila, ou a primeira vez que confundi um jogador da bola com um contabilista de Valpaços.

Mosaico Cromático

Estamos na Primavera futebolística, altura em que florescem novas ninhadas de cromos prontas a saciar a sede da massa adepta. É agora que os empresários e dirigentes saem debaixo da penumbra que os envolveu durante todo o estado de hibernação para copularem desenfreadamente em mercados distantes, fazendo despontar mil e uma ilusões sob a forma de um penteado esdrúxulo ou de um nome peculiar por um mero punhado de euros.
É certo que lamentamos a partida de algumas figuras que deram água pela barba à nossa SAD, mas a vida de um cromo é mesmo assim: uma bola a escapulir pela linha final, um atraso na chegada ao treino e, tumba!, lá se vai o cromo.
Felizmente, 2009-10 promete ser uma época tão profícua como as anteriores, deixando a nossa SAD imune à crise que dizem que grassa por aí (Cristiano Ronaldo que o diga).
Só para terem uma ideia, produzimos uma pequena peça artística apenas com algumas caras recém-chegadas à nossa I Liga, excluindo os três da vida airada (sabendo que o Sporting ainda está envolvido nas obras de reconstrução da Academia e o Benfica está a descobrir contratações para o FC Porto remodelar o plantel).

Uma plêiade de cromos bem intencionados e bem fotogénicos, mas que, infelizmente e como dita a Mãe Natureza, terá muitas dificuldades em resistir aos primeiros meses de vida na sempre dura I Liga deste nosso rectângulo. O espaço que medeia entre Julho e Setembro será vital para determinar quais os cromos desta fornada que terão algum sucesso e aqueles que… bem, apenas conseguirão que a nossa SAD se lembrasse deles. Também não nos podemos esquecer que, por vezes, estas novas crias cromáticas são acossadas pelos cromos já residentes, numa dura competição pela sobrevivência ao jeito de um programa da National Geographic aplicado à cromice dos balneários lusitanos.
Analisemos os nomes destes nados-vivos para a principal selva do futebol português de 2009-10:

NAVAL: Quatro crias para preencher a defesa, o meio-campo e o ataque: Lupedo, N’Kake, Aboubacar Tandia e o regresso de um dos nomes mais queridos dos caçadores furtivos de cromos da nossa praça: Ouattara. Um nome sempre em alta nas bolsas cromáticas e que promete não deixar os seus créditos por mãos alheias.

LEIXÕES: Também um ataque à cromice em toda à linha, com Cauê, Patrão, Faioli e o pouco simpático Trombetta.

BELENENSES: Mais modesto nas contratações de campo para compensar o afinco técnico-jurídico com que trabalha na secretaria. Barge e Yontcha dão, porém, um ar de sua graça.

GUIMARÃES: Um norte-americano, Kamani Hill, e um defesa, Lazzanetti, são as principais crias cromáticas do defeso vimaranense.

NACIONAL: Depois da alta taxa de natalidade cromática dos últimos anos, o Engenheiro Alves fez as contas à vida e concluiu que a segurança social nacionalista não podia aguentar aquele ritmo descompassado. Daí a implementação de uma política cromo-contraceptiva à qual escaparam Nejc Pecnik e Elisson.

MARÍTIMO: Nada a assinalar, a não ser repetir um nome que o site zerozero já indicava como parte do plantel de 2008-09 mas que, sinceramente, não nos cansamos de repetir: Takahito Soma, o japonês dos campeonatos nacionais. Veremos se fará hara-kiri ao primeiro copo de saké ou se será o kamikaze dos Barreiros.

PAÇOS DE FERREIRA: Três singelos nomes que não ultrapassam as quinze letras todos juntos: Rondon, Ciel e Bamba (não confundir com Bambo nem com a mulher dele; ele é Bamba como a corda).

SETÚBAL: Os ares de recessão do Sado não impedem que se tragam nomes do quilate de Djikiné e Ladji Keita.

ACADÉMICA: O mais sintético dos reforços equipa de negro: Bru. Espera-se que gere um grande Bru(á). Nem que seja pelo seu penteado Milli Vanilli.

RIO AVE: Tempos de contenção junto às Caxinas. Mas ainda há um Wesllem para apreciar.

BRAGA: Saudosos os tempos do Ganga, Johnny Rodlund e Kim… Talvez Joabe desperte alguma atenção cromíflua.

LEIRIA: Alguma expectativa em torno do guardião Andjelko Djuricic (o novo Miroslav Zidnjak?) e de Sow (o novo Salam Sow?)

OLHANENSE: Autêntica mãe de aluguer cromática desta competição, abraçando todos os filhos que o FC Porto deserda. Desta creche imensa, destaca-se o irascível Zequinha, agora com a oportunidade de ouro para agredir algum interveniente do jogo em prime time. Para além dele, há o Gomis (com “i”).

Resta-nos desejar a todos eles boa sorte… e em Janeiro cá estaremos para analisar uma nova prole.

Quinta-feira, Julho 02, 2009

Cílio* Season

Encontramo-nos em plena Cílio Season de preparação para a época de '09-'10, e o esférico local continua animado e impregnado de cromífluidade como sói acontecer.

Nós aqui no Cromos da Bola SAD, temos orgulho e fazemos gala que nos considerem gente simpática, agradável. We care.
Vai daí, começamos a nossa resenha pela agremiação lúdica de Alcochete. Depois de completarem um tetra-vice-campeonato, está na hora de ficarem em primeiro nalguma coisa. Um pouco de solidariedade fica sempre bem.

A nossa viagem por terras de Alvalade principia com uma nota negativa: a dieta cromática. De um assomo apenas, os responsáveis leoninos pretendem emagrecer o plantel de modo a evitar o excesso de colesterol autocolante que os afligia.
"Pipi, Ronny & Tiuí" deverão levar o pouco futebol que têm para outros campeonatos, mas se o fizerem em conjunto, nós ficaremos un petit peu felizes, porque não é todos os dias que um trio chamado "Pipi, Ronny & Tiuí" faz carreira fora do ramo circense.
No sentido inverso, deverá ingressar o avançado Caicedo, que faria uma excelente dupla ao lado de Cailogo, sendo ambos magistralmente servidos pela formiguinha centrocampista Cai-e-Rebola.

















Ainda por Lisboa - ou Alcochete - assistimos à recriação histórica da Batalha de Aljubarrota, mas desta feita sem espanhóis, sem padeira, e com armas mais rudimentares do que em 1385. O orçamento não dá para tudo.
Em 2009, os arcos e flechas da batalha original foram substituídos por essa tecnologia insuperável do Séc. XXI conhecida por pedra.

Passemos então ao outro lado da barricada (literalmente), onde se encontram os crónicos animadores da Cílio Season e actuais Octa-Campeões do defeso, os enérgicos senhores do Sport Lisboa e Rui.
Numa brava contenda reminiscente dos habituais braços-de-ferro entre os governos-fantoche estadunidenses na América do Sul e respectivas guerrilhas de extrema-esquerda, as eleições do clube decorrem na maior normalidade. Isto tendo em conta que a normalidade, no que respeita à referida agremiação, passa por tratar todos e quaisquer assuntos a bordo de um avião privado - política instituída por São Costa em '08: "Passarei todo o tempo disponível o mais perto possível de meu Pai, o Sr. Deus." (versículos de São Costa, 12:4).

Assim sendo, o novel candidato ao presidencial bigode do Sr. Vieira, nado na odiada urbe dominada pelo visceral inimigo azul, mostrou-se desde cedo identificado com a vigente mística clubista, apresentando a sua candidatura a bordo de um aviãozinho privado, denominado Eagle One. Provavelmente não queriam que o confundissem com o Eagle Two, onde o grémio luxemburguês Fola Esch costuma apresentar os seus equipamentos novos...ou até mesmo com o Beagle One, local de eleição para as conferências de imprensa do lateral-esquerdo do Lusitano Ginásio Clube Moncarapachense, mas tendo em conta que este último se trata de uma carrinha da Volkswagen, o engano seria menos provável.

Porém, eleições antecipadas, órgãos demissionários, golpes de estado, providências cautelares, garotos, tribunais de primeira instância (já levaram mais coça recente nos tribunais, do que na UEFA '08-'09 inteira), alterações de estatutos e bigodes à parte, as eleições do Benfica Lissabon correm dentro da maior das normalidades. Viva a democracia.

No que respeita a futebol (ou quase), o defeso também tem prosseguido dentro do usual. São Costa (cujo nome não deverá JAMAIS ser pronunciado em vão) continua na sua particular demanda de montar no Benfica de 2009-2010 um fac-símile do River Plate de 2000-2001. Para tal, delineia três requisitos para os novos reforços:

- preço de custo acima de 5M de Euros.
- número inferior a 10 jogos disputados desde 2007.
- facilidade na interacção com lesões musculares.
(mais informações em www.reforma-antecipada.gov.pt)









(com esta alcunha, vai ter vida difícil em Portugal)

A Ai(!)mar e Saviola (aguarda-se pelo primeiro embate Rabiola vs Saviola) São Costa planeia juntar Ricardo Rojas (saúda-se o regresso) e Ariel Ortega, apelativos por terem sido bons executantes em 2001 e por estarem basicamente arredados do futebol profissional há mais de 300 dias. De resto, a Divindade da Damaia já se encontra em conversações com os agentes dos referidos (ex-)futebolistas, com o intuito de inflacionar os seus passes até aos 5M pretendidos.
Neste momento Sua Santidade estará já de regresso à capital lusa a bordo de seu avião particular, onde decorre uma informal sardinhada com amigos de longa data como Sto. António, São João, São Pedro, Ghandi, Deus e Madre Teresa de Calcutá.

A única excepção à banalidade que tem sido esta Cílio Season benfiquista dá pelo nome de Pedro Mantorras, dado ser o primeiro defeso desde 1962 em que o avançado angolano não vê um joelho seu ser autopsiado. Saiba mais informações sobre o universo encarnado no programa "Couratos e Bifanas"(não, não estou a gozar), na sempre isenta Benfica TV.

Mais a Norte, a primeira transferência milionária do corriqueiro êxodo de Verão portista foi abortada devido a meia dúzia de cáries, ou mais concretamente, a uma mordida assimétrica. Por muito irónico que seja o facto do clube de Ronaldinho Gaúcho rejeitar um jogador por causa de uma cremalheira agressiva, pergunto-me se a infame pasta de dentes de Jesualdo terá sido impingida ao restante plantel. E em simultâneo ficámos a saber a razão de Armando "Le Petit" Teixeira nunca ter jogado no AC Milan, dado que provavelmente terão reparado na marca canina que o trinco deixou na perna de um Pirlo qualquer, em alturas do seu último confronto com os milaneses.
Já dizia São Costa (posteriormente eternizado na cúpula do Duomo) aquando da sua passagem por Milão: "Non mi piacciono le morse assimetriche, madonna!" (versículos de São Costa, 10:1)
















Umas paragens de metro mais abaixo, um ex-campeão caído em desgraça (podíamos estar a falar de Mike Tyson, até porque isto vai incluir drogas e xadrez, mas...não) levou recentemente mais um golpe nos queixos, quando o seu ex-assalariado Fernando "L'Enfant Terrible" Mendes o acusou de práticas menos edificantes. A saber:

"Havia jogos em que entrávamos no balneário e perguntávamos: onde está o milho? Aparecia o massagista com uma bandeja recheada de seringas para dar a cada um. Parecíamos galinhas de volta do prato, à espera da vez"

Ora, conhecendo nós o plantel axadrezado de '91-'92, pensamos ser seguro afirmar que o jogador mais similar a uma galinha seria o icónico Alfredo, mas com certeza que Ivan Pudar não lhe ficava muito atrás nesta incursão pela ordem galliforme.
De qualquer forma, longe de nós imaginar que o clube do ex-vocalista dos Ban estaria envolvido neste tipo de despudorada prática, especialmente depois de vermos o proverbial pastelão romeno Ion Timofte a disputar desafios com a fortaleza física e raça de um Bobó sob o efeito de esteróides. Longe de nós.

Nenhuma crónica sobre a Cílio Season estaria completa sem a celebração anual da não-despromoção dos brasileiros do Restelo via secretaria. Os motivos invocados variam de ano para ano, mas a impressionante regularidade da supracitada celebração surpreende pela criatividade nela empregada.
Em breve publicaremos nova pollga relativa a esse assunto que roubou António "Peúgas" Fiúza da divisão principal da nossa bola. E em Cromos da Bola SAD, não gostamos de ver um dos nossos cair.

Continuação de uma Cílio Season prazenteira, e cuidado com os aviões particulares.
"Este post a roçar o herege termina aqui." (versículos de São Costa, 12:4)

*ex-Deus de Gondomar, actual Nanjing Yoyo

Segunda-feira, Junho 29, 2009

Alcochete a Ferro e Fogo

Pedro Barbosa está na sua rústica casa de campo a comer um croissant com recheio de ovo. Um mega croissant, refira-se. Desloca-se na cadeira de rodas até à janela e ao fim de longos 15 minutos consegue finalmente vislumbrar a lassidão da paisagem. Ao fundo, uma nuvem de fumo parece indicar o fim da tranquilidade: era Rui Costa, o santo que fez o milagre de sacudir a água do seu casaco Hugo Boss (versículos de São Costa, 16:9), varrendo a planície a espumar de raiva.
Barbosa, com a sua placidez habitual, rumina mais um pouco o seu croissant e deixa-se estar.
- Eu é que não era maluco para começar a correr com este calor todo… - pensa com a sua franja que tomba resignada sobre a testa.

Costa, o santo que fez o milagre de gastar todo o orçamento do Malawi em contratações do calibre de Balboa (versículos de São Costa, 4:3), avança imparável destruindo azinheiras, esquartejando bolotas, dilacerando os bonecos Playmobil do Miguel "o Miguel" Veloso, escavacando as ene balanças do Rochemback, incendiando os pneus do seu patrão e disparando indiscriminadamente a sua metralhadora como se fosse o Rambo no Afeganistão. Ainda estrangulando um esquilo, chega à janela térrea donde espreita Barbosa.
- Eu passo-me quando não vejo condições! Eh pá, dá-me cá uma raiva que nem queiras saber! Parto tudo o que vejo à frente! – desabafa Costa.
Barbosa prefere dar início ao croissant com pedaços de amêndoa na cobertura. Não responde.
- Mas isto é o quê, pá? Jogar à bola na relva? Na relva? Mas aonde é que chegámos, pá? A relva é para os bois e para as vacas não sagradas, pá! Não é para mim! Essa porcaria está cheia de pesticidas, pulgões e ácaros da mais variada espécie! Só admito espalhar classe num tapete de veludo beatificado pelo vinho santo do São Vilarinho (versículos de São Costa, 7:1)!
- Hmm, hmm – grunhe Barbosa. Provavelmente, sentindo a delícia do praliné gostoso.
- E que porcaria de entrada em campo é esta, pá? Eu ando sobre as nuvens ou sobre a água… mas sobre a terra batida? Ó Barbosa, isso é mesmo para provocar-me, não é? Tu queres que eu me passe dos carretos, não é? – e dito isto, Costa parte violentamente um vaso que estava no parapeito. Barbosa demora alguns segundos a responder.
- Eh pá, não me partas a louça!... Tenho tantas dificuldades para a pagar… Agora puseste-me triste e já não me apetece falar mais… Vou afogar as minhas mágoas num vulgar croissant de chocolate. Ou melhor, num pastelinho de nata, que está mais queimadito, coitadinho… Eu tenho muita pena dos pobrezinhos…
Mal Barbosa finca o dente misericordioso no pastel, Costa abespinha-se:
- Esse pastel não tem condições! Alertei a ASAE e eles não fizeram nada quanto a essa questão! Essa porcaria só aumenta o colesterol! E isso deixa-me… furibundo! AHHHHH!!!!! – ao mesmo tempo que grita, Costa imprime uma sacrossanta cabeçada na persiana, desfazendo-a em pedaços.
Barbosa, de boca cheia, tenta por tudo mover-se para agarrar e acalmar São Costa, mas só consegue mexer ligeiramente o indicador enquanto cospe um bocado do pastel:
- Ó ‘Osta… ó ‘Osta, ‘tá lá ’ieto com isso... assim ‘ás-me ‘abo da ‘asa…
- Mas qual casa, pá? Isto é um casebre sem condições! Isto é o terceiro mundo! Pensava eu que eras um visconde!...
- Tenho uma casa humilde. Por favor, não me destruas os estábulos nem importunes as éguas. Pode ali estar um novo Ronaldo e eu preciso disso para comer.
- Ronaldo?!? Bah, um jogador sem condições para o Benfica!
- … mas olha que ele é caro como o caraças…

São Costa ouve falar em coisas caras e refreia os seus ímpetos.
- Mas… caro, como assim?
- Muito caro.
- Tipo… bué, bué caro?
- Caríssimo. Do mais caro que pode haver.
São Costa escuta uma música celestial e um halo de luz desce dos céus, envolvendo todo o seu fato Armani. Hossanas ao Senhor, podia estar ali o novo reforço! Costa está muito interessado em saber mais.
- Hmmm… E o tipo joga bem?
- Então não? É do melhor.
Costa enfurece-se outra vez.
- Eu logo vi! Não tem condições! Tem de ser caro e não valer a ponta de um corno para ter lugar no plantel! O verdadeiro símbolo do Benfica sou eu!

Barbosa já chupa os dedos e lança um olhar apaixonado sobre a travessa de bolinhos de coco que repousa sobre a sua caminha de feno. Nota-se que Barbosa gosta de comer enquanto os outros estão a falar e por isso tenta prolongar um bocado a conversa.
- Mas o símbolo do Benfica não é a águia Vitória?
- É um animal sem condições! Só eu possuo condições ideais!
- E antes não era o Eusébio?
- Tem algumas condições, nomeadamente no que concerne à identificação do marisco… mas não chega!
- E porque é que tu…
- Porque eu sou do povo e tenho um BMW topo de gama, estofos de cabedal e jantes de liga leve, que conduzo com alto estilo e óculos Ray-Ban a condizer, ´tás a ouvir? Quase quarenta anos e um cabelo de pedir meças ao Mick Jagger, ´tás a ver? Sem um cabelo branco que seja! E tu, ó visconde falido?
- Tenho um tractor agrícola Same. Dá jeito para apanhar a azeitona.
Costa, o santo que tem a mais bela voz de todos os directores desportivos que fumam nos túneis de acesso (versículos de São Costa, 68:70), exaspera.
- Percebes agora o que te digo? Não tens condições!
- Não menosprezo o meu tractor – defende Barbosa, tirando a cereja cristalizada do topo do seu bolinho – Só eu sei a adrenalina que senti quando dei 30 Kmh pela estrada que vai do pavilhão ao relvado… sem capacete. Sempre a rasgar. Sempre nos limites. Uma loucura.

Entretanto, ouve-se o galo cacarejar e chegam notícias que dão conta que o jogo dos miúdos tinha terminado. Costa e Barbosa ficam frente-a-frente, num longo momento de embaraço, sem assunto para desenvolver. Costa, olhando para todo o rasto de destruição que deixara na modesta herdade de Barbosa, tenta improvisar uma despedida.
- Pá, então… Ficamos assim… Havemos de marcar um jantar um dia destes...
Barbosa aceita a sugestão com agrado, parando por instantes o seu semi-frio de café.
- Isso pode ser. Pagas tu? Sabes que eu ando um bocado à rasca… e agora ainda tenho de pagar o que tu partiste…
- Paga a imprensa – decide São Costa – Que esses trastes sirvam para alguma coisa! Ando cá com uma raiva a esses gajos!... Eu já os conheço a todos muito bem e tenho respostas muito boas para eles... Do género: eles perguntam-me “ah e tal, fulano e sicrano” e eu faço aquele sorriso malandro a mascar pastilha e só lhes digo “amigo, eu não papo grupos!” e eles ficam a andar à roda! Tomem lá! Quando penso nisso fico cá com uns azeites!...
Barbosa apazigua:
- Não penses mais nisso. A culpa é do Porto.
Costa é atingido em cheio no seu coração. Estabelece-se uma súbita empatia. A ira transforma-se em sorrisos.
- Nem mais! Nem mais! Pá, tu quando queres até sabes! Desculpa lá a maçada, ó Barbosa! Dá cá um abraço! Amigos como dantes?
- Tudo bem… pode ser… cuidado, não me esborraches o éclair. É o último e acho que dei um mau jeito no braço quando me estiquei para ir buscá-lo.

Sábado, Junho 27, 2009

Flama, o homem que todo o clube chama

Flamarion

Sim, Flamarion!!

Nao me digam que se tinham esquecido deste defesa brasileiro.
De seu nome, Flamarion Petriv Abreu. Já se lembram?

Pousou em Guimarães onde foi titular indiscutível. 30 jogos em 2001-2002. Numa equipa onde pontificavam Abel, Bessa, Rog. Matias, Cléber e William na defesa. E um ataque demolidor com Guga, Laelson, Fangueiro, Romeu e Sion. Grande tempos deste Vitória...

Mas voltemos a Flamarion.
Que foi feito deste senhor? Pois bem, rumou ao Estrela da Amadora, onde mais uma vez foi titular! desta vez treinado pelo sr chicla de boca aberta - Jorge Jesus.

Na epoca seguinte, Flamarion pensou: " fogo, na amadora? nem pensar! Ouvi dizer que na Maia é que se vive bem" e assim foi. Mais um ano titularíssimo. numa equipa com Erivan, Bodunha, Ricardo Nascimento, Saulo, Basílio.
Mais uma vez Flamarion mostrava a sua raça com 25 jogos.

Mas para mal dos nossos pecados, parecia não gostar de estar mais do que 1 ano no mesmo clube. Então rumou à Coreia Sulista, no Deajon. Depois Arábia Saudita, no Abha.

Depois... Mixto Coritiba! Que carreira, meu deuuuuuuuuus.... que orgulho.
A seguir o CSA de Alagoas e no ano passado o Caldense.
Digam lá que não foi uma poesia estas ultimas 3 linhas de clubes de futebol.

Obrigado Flamarion, por teres passado pelos relvados portugueses. Serás o ídolo de muita juventude.. quer dizer, de muita nao.. mas pronto, de algum. Principalmente aí em Caldas do Brasil!

Domingo, Junho 21, 2009

Rogério, o Matias

Rogério, o Matias..

dos poucos esquerdos, esquerdinos, canhotos.. vá, pé esquerdos nacionais.
A nossa selecção podia tê-lo aproveitado mais, é um facto, mas há 8/9 anos que andamos a adaptar jogadores a essa posição.. é o destino!

No meu tempo, quando eu era uma criança, ou seja quando eu era um Ricardo Labrecas depois de sofrer um golo, diziam que canhoto era mau e puxavam-me sempre para ser destro.
Ora agora pegam nos destros e tentam pô-los a canhotos.. ou então pegam nos médios que gostam de jogar a construir.. e põem-nos a construir buracos na defesa.

Bem, mas falando de Rogério O Matias, encontrámos esta bela foto no nosso baú de arquivos cheios de pó (ou será ? Ou Plinio? Ou Pinha? ou Peu) e teias de Beto Mãos d'Aranha.


















Espectacular.. esta foto feita na Maia, 10 minutos depois de Rogério ter ido ao cabeleireiro. Como é óbvio, este plantel liderado pelo Major e com a presença do esguio Miguel Barros, fazia merecer um jogador como este. Rogério Pedro Campinho.. reforço.... Campinho Marques Matias.

Subiu a pulso na carreira, sempre com esta imagem de marca do belo cabelo.
Nunca tinha encontrado alguém à sua altura.. e por isso no final da carreira pensou "Ê porque nâum jugári, compadris, onde alguém tenha um cábêlo à minha altûra?" (Rogério é ribatejano, fala assim)

E assim foi, obtendo este momento histórico que os nossos repórteres conseguiram sacar:













Palavras para quê? São 2 artistas capilares dos capilares relvados capilares portugueses.

Segunda-feira, Junho 15, 2009

Chamar a Música - A Sequela

Prometemos que iríamos regressar com mais uma ligeira incursão pelas profundezas sórdidas e insalubres do satânico casamento entre a bola e o mundo da música, e quando Cromos da Bola SAD promete, Cromos da Bola SAD cumpre.

Vota Cromos da Bola SAD.

Prosseguimos com um álbum que fez furor em 1997, um ano de boa colheita, que contou com surpreendentes clássicos do calibre de "O Meu Transistor Não Tem Pilhas" de Nicola Spassov, ou "Songs From Niksic" da revelação Drago Poleksic's Big Band.

Falamos obviamente de "Pequeñito en Old Trafford", o disco de estreia de Costa.


















Quatro cançonetas agridoces, imbuídas de uma ingenuidade desarmante e de um talento a toda a prova. Um tetra de chansons de travo gaulês, regadas com uma leve fragrância a escândalo.

O surpreendente petiz bracarense, lançado às feras pelo criativo produtor Tony Oliveira, mostra-se ao Mundo com a candura própria de quem sonhou um dia acariciar os maiores palcos planetários, e os afagou com a inexperiência própria da primeira vez.
E como não há amor como o primeiro, este álbum terá marcado definitivamente a carreira do noviço baladeiro, que se despede dos seus recém conquistados fãs com a derradeira faixa do álbum, a comovente "Au Revoir (el dulce beso de la muerte)".

De um beijoqueiro para outro, desta feita narramos as sensuais desventuras do indiscutível rei das lusas redes, pintadas a tons de sedução vocal.
Neno quer deixar uma marca indelével nas nossas almas, e sobretudo na nossa retina. Como tal, decide martelar-nos a visão com sete impressões do seu nome em maiúsculas, e mais três para a sobremesa, em minúsculas.
Questiono-me: Qual será mesmo o nome do álbum?













Será "NENO NENO NENO NENO NENO NENO NENO" ou "neno neno neno"? Ou ainda "NENO NENO NENO NENO NENO neno neno neno NENO NENO"?
Só sei que nada sei. Isso, e que o referido álbum será de certa forma homónimo. Provavelmente pluri-homónimo.

Para um artista cujo momento mais alto passou por ficar com o maxilar preso na rede, cheira-me a demasiado pretensiosismo...mas claro que o meu olfacto ficou irremediavelmente danificado desde que fui ao Festival do Feijão de Bucelas com o Odaír, o Pu e o Vinícius.
De toda a maneira, o meu sentido auditivo ainda está aí para as curvas, portanto podem contar com futuras versões da relativamente-premiada rubrica intitulada "Chamar a Música".

Segunda-feira, Junho 08, 2009

Cabelo À Homem (De Nkongsambaau)

Estava aqui a pensar com os meus Honi Serges: “tens mesmo cara de quem nasceu em Nkongsambaau”.


















Depois fizeste-me sentir melhor por nunca cortar o meu cabelo em Leiria.
E tu também não me pareceste muito satisfeito com o tratamento estético: mal fugiste da vista do feudal Bartolomeu, saltaste a fronteira e implantaste um tapete persa de qualidade duvidosa comprado ao tio-avô do Quaresma, logo ali a sangue frio na traseira da sua Ford Transit.

Com resultados avassaladores, diga-se de passagem:

A tua carapinha brilha no escuro, tal como um pirilampo mágico na área, constituindo o farol ofensivo para onde choverão bolas de pânico à medida do teu portentoso 1,73m.
Esta nova coloração também faz parte de um tratamento anti-lêndeas revolucionário. Um tratamento revolucionário para as próprias lêndeas, bem entendido, que têm na tua cabeça o seu resort de luxo com direito a spa e tudo. Ou seja, és uma espécie de Quitoso ao contrário.

Tu és mais que uma simples simbiose entre homo sapiens e pêlo de furão. Consigo distinguir em ti ligeiras fragrâncias de Abel Xavier e noto que piscas o olho ao Wesley Snipes. Se eu tivesse que arranjar um termo de comparação, diria que és um troll ao qual faltou correr o 2º CD de instalação do software. Mas como não tenho, coloco antes um termo às comparações.

Mesmo com essa performance capilar que pede meças a qualquer um dos vários Miguéis Velosos que andam por aí a destilar aversão aos pronomes, continuo a dizer: “tens mesmo cara de quem nasceu em Nkongsambaau”.
É um grande Gal.

Terça-feira, Junho 02, 2009

Champions League

Prestamos hoje a merecida homenagem a alguns dos mais ilustres campeões da nossa deprimida, porém sempre cromática Nação.

Começamos pelo topo; Liga com nome de cerveja que não é super, nem mítica goleadora de divisões inferiores, mas sim navio de referência e símbolo maior da Marinha Portuguesa.

De um trago só, a referida Liga foi uma vez mais engolida pelos senhores do costume, sempre sedentos e com vontade de beberricar uma loira fresquinha que recompense a longa caminhada, aqui e ali salpicada de cromicidade.


















E já que de cromicidade falamos, que seria desta conquista sem um pequeno canhoto argentino, ex-suplente de Lanús, clube atlético e sem feitos de monta para se gabar? Estaremos certamente a falar de uma mini e não um príncipe, apesar do dançável tango que nos terá sido propiciado.

Nélson, bebe amigo, pois logo serás expulso da mesa. Não tens culpa que outros prefiram o green, outros funcionem a diesel, e que no fundo, ninguém aprecie a mini. Mas deixa lá esses sacripantas, e pede mais uma para a viagem. Pagamos nós.

Arrumada a cerveja, desta feita tratamos de água, símbolo de pureza e juventude. Apesar da Liga que dela tem o nome ter sido relegada para segundo plano, vital continua a ser.

E já que de H2O falamos, nada melhor que recordar a intemporal cançoneta de um jovial baladeiro setubalense, que relatava um amor impossível - de duas vidas separadas pelo tempo. Duas lágrimas caindo no momento em que se acende a dor. Olhos de água. Não deixam de sentir. Olhos de água.

Seu nome era Toy, e da vivaça altivez de sua mosquinha berrava para que soubéssemos que as meninas sem par só poderiam dançar se chamassem o António.

Mas em Olhão, outro Toy procurava a redenção de uma partida em falso. Agora no sprint final daquilo a que eufemísticamente chama de "carreira", o ex-futuro-Eusébio e actual sobrevivente da condição física conhecida por Mawetakwápepatoy, assinou o tento que colocou a bejeca na calejada mão do S.C. Olhanense, agremiação que há 34 anos não sorvia o cálice do prazer original.

Porém, os 6 golos e 7 amarelos do avançado ex.quase.futuro@pantera.negra.pt nunca teriam sido possíveis sem o criativo Deus que arma o jogo algarvio. Messi, o símbolo do futebol romântico que persiste em mastigar o calcio mecânico-musculado e a cuspi-lo com desprezo. Com Messi em campo, a mais bela escultura de Donatello toma vida sobre o relvado, com a comovente anuência de Rudolf Nureyev observando em plié todo este quadro digno do pincel de Gauguin.
Obrigado, Mágico Messi. Olhão te ama, coño.

















Na Invicta, não houve apenas uma agremiação de copo na mão. Na estação de metro de Vidal Pinheiro, festejou-se durante um mês inteiro.
A II Distrital já é passado, um pesadelo do qual Cao acordou com suores frios e espancou violentamente até ele se retirar e pedir perdão por ter existido.

A Fénix voa, minha gente. A Fénix sobe, altiva, orgulhosa, e com a certeza de não queimar as asas como Ícaro. Pois Ícaro era um jovem valoroso, mas não tinha a ajuda de um Falmeida. Não tinha Renato de seu lado. E todos sabemos que Cao é o melhor amigo do Homem.

Os campeonatos profissionais já não são apenas um sonho, são um objectivo palpável e sedutor, que sorri provocador, piscando o olho à Fénix. Porém, precisará a Fénix de mais ajuda?
A caixa 5, sector 2 da Exponor está sempre aberta. Mesmo para quem tem mais do que 5 unidades.

Finalizamos com um campeão que não o foi.

O boné da JCA viajou até Oeiras, em ambiente festivo e protegendo inúmeras sardinhadas do impiedoso sol. Porém, veio de lá vazio, sem taça e sem massa.
Mas um campeão faz-se de taças, ou da forma inequívoca como arrebata corações e conquista almas diletantes?


Hoje, meus amigos, habemus campeone. Ferreirem-me os Paços, pois Jorginho levou o Senhor Bigode à final da Taça Millenium, depositando uma saudável dose de verdadeirismo nos cofres depauperados da portugalidade, e passando um peludo cheque endereçado a todos nós.

Jorginho cultivou, Jorginho deixou crescer, e Jorginho disse: "Para vocês, Portugal, um cheque no valor de 5.000 juras de amor."

E nós, companheiro Jorge, nós seremos a tua muralha de palha d'aço.

Campeão allez.

Domingo, Maio 24, 2009

Não Sabemos Se Há Mais Alguém Que Exponha Cromos Do Fafe Na I Divisão…

… mas se houver, com certeza que não estará a passar um bom bocado e, com alguma sorte, já deve estar a caminho das urgências de um hospital qualquer, onde será bem tratadinho com uma daquelas camisinhas brancas com umas fivelas e uns braços muito compridos que se aconchegam muito bem ao corpo.

Por isso, resolvemos fazer História. E como se faz História? É muito simples - é só fazer isto:

E pronto, já fizemos História, prestando homenagem à História, revelando o que hoje parece impensável, mas que aconteceu realmente há coisa de vinte anos atrás. É muito fácil e recomendamos vivamente para que experimentem fazer História também nas vossas casas, afastando em primeiro lugar todos os móveis para não haver chatices.

Mas depois disseram-nos “eh pá, isso só não basta, queremos discutir alguns casos particulares” e nós dissemos-lhes “devem estar a brincar, hoje é o Domingo em que acaba o campeonato e a nossa vida não é esta” e eles responderam-nos “vá lá, façam-nos esse Saganowski” e nós a insistir “não, nem por dois Basaúlas” e eles “vá lá, só um Pingo” e nós “então está bem, mas só desta vez”.
Então fiquem lá com o Grosso. Não é o Fábio italiano, mas o portuguesíssimo Grosso. Grosso foi um dos mistérios mais bem guardados do futebol português. À primeira vista, parece um central anónimo, igual a tantos outros Lemos dos nossos relvados. Mas depois de uma análise um pouco mais cuidada, ou seja, lendo bem o nome dele, ficamos logo com uma série de dúvidas. Ou melhor, apenas com uma: que raio, porque é que ele era (e é) Grosso?
Várias hipóteses se arremessaram para cima da mesa, derrubando o pires de tremoços e fazendo tremer a mini, criando aquela espuma incómoda que sabe mal:


- Seria pelo facto de ser um tipo assim a atirar para o gordo? Não parece, o Grosso até tem um aspecto elegante;
- Seria pelo facto de ser um tipo de maneiras rudes, pontapé para o quintal e cuspidelas na cara do avançado? Não cremos, porque temos a ideia que Grosso era um central de fino recorte;
- Seria pelo facto de ter um vozeirão tipo trovão que impõe respeito a um pelotão de fuzileiros? Não se nos afigura como provável, dado que Grosso possuía uma voz ali entre o Ricardo com cólicas e o Popas da Rua Sésamo;
- Seria pelo facto de granjear imenso respeito no(s) seio(s) da comunidade feminina, que dizia à boca cheia “aquele gajo… eh pá, aquele gajo é muita grosso! Ui, qual Tom Cruise qual quê, aquele central é que é mesmo grosso”! Pode ser, quem sabe, vá lá alguém entender as mulheres;
- Seria pelo facto de possuir alguma parte corporal um pouco mais robusta que a maioria dos mortais? Estou a pensar numa protuberância corporal qualquer, sei lá… por exemplo, o nariz. Pois, o nariz. Seria que era pelo facto de ter o nariz grosso? E, conjugando esta hipótese com a anterior, seria isso que levava as mulheres ao delírio? Quem diz o nariz diz as pernas ou outra coisa qualquer, é preciso é imaginação.


Ninguém sabe a resposta ao certo. Grosso ainda hoje é um grande ponto de interrogação e tema tabu nas tertúlias fafenses, que omitem voluntariamente o dossier Grosso dos seus convívios. Fala-se em Grosso e as pessoas começam a tossir, voltam as costas, fecham-se as portas e as janelas, ninguém sabe nada, ninguém viu nada, é um verdadeiro pacto de silêncio que impede esta questão de ser resolvida a contento.

E como somos uns tipos que até nos achamos porreiros, decidimos presentear a nossa fiel massa associativa com mais dois brindes que certamente lhe encherão as medidas: dois bigodes do antigamente, dois orgulhosos registos de virilidade desportiva.
Então com licença e cá vai um José Albano:

Não é preciso dizer muito, só acrescentar que este foi um goleador do povo, o pão que encheu as bocas das equipas secundárias e que viveu uma relação conturbada com o estrelato, sentindo-se apenas um verdadeiro peixe nas águas inquinadas desse grande pântano que era a II Divisão. Definindo José Albano em termos musicais, podemos dizer que ele nunca foi artista para os grandes palcos mas sim o indie rocker definitivo, aquele que sempre gravou álbuns magistrais em estúdios obscuros e por quantias irrisórias.

Para finalizar, desviem aí os cotovelos, arranjem só mais um espacinho para colocar este Quim:

Bem, aqui nem é preciso dizer nada. Chama-se Quim e ostenta um garboso bigode. Agora já sabem quem foi a verdadeira musa do Quim Barreiros.

Já todos vimos bicicletas a andar em cima de porcos. É banal. Agora podem dizer que já viram cromos do Fafe na I Divisão. Isto sim, já é qualquer coisa.

Sexta-feira, Maio 22, 2009

Bafode Watch - Abril


Estou bafodido de facto.. porque Bafode Carvalho lesionou-se neste fim de época.. juntando-se assim a Mantorras nas 1000 corridas que já deu à volta do relvado.
Em Abril, Bafode despediu-se desta época, ao actuar pela primeira vez como titular!!!

Foi a 5 de Abril, contra o Gondomar, na terra do Major Valentim. Agora vemos Bafode Carvalho a sair de jogo e não a entrar aos 75/80 minutos. Saiu aos 65, no jogo em que o Gondomar bateu o Estoril por 3-0!! A lesão traiu a recuperação no resultado com a ajuda de Bafode do Carvalho.

A partir desse momento, Estoril não teve mais Praia, o Estádio não teve mais Amoreira, e o Amarelo e Azul passou a verde e lilás...

Boa sorte Bafode para a próxima época.
We will be watching youuu!!!!

Quinta-feira, Maio 21, 2009

Pollnito


Após 236 votos de amantes da bola e/ou cibernautas confusos, a comissão de Cromos da Bola, SAD decidiu fechar a Pollga para lateral-esquerdo.
A bem da democracia blogosférica, aproveitámos ainda a reunião para aumentar os ordenados da administração em 125% e proibir rissóis de camarão em futuras confraternizações.

Assim, e sem mais delongas, apresentamo-vos a nova contratação do nosso desajeitado plantel: o anti-camaleónico Nito, Rei das Cadernetas Panini da década transacta.


Damos desta forma as boas vindas ao macambúzio lateral e ao seu habitual esgar de desprezo pela humanidade em geral, e pelos vendedores de pipocas em particular.

Para trás ficaram símbolos do calibre de Escalona, essa cartolina vermelha com duas pernas e um penteado sul-americano, bem como Quim Berto e Rojas, terceiros classificados ex-acquo. Uma plétora canhota de inutilidade deslizante sobre o verde quadrângulo, qual lodo representativo de uma mistela sem talento.

Porém, estamos felizes. Esta nova aquisição traz velocidade, acutilância, desprezo, e uma imutável expressão facial ao flanco esquerdo da equipa, onde o rústico bombardeiro Formoso já pode contar com uma muleta de eleição.

E a Nito, amigo, novo camarada, irmão de armas e sorrisos a meia haste, agradecemos-te: um Bem-Haja pela muleta.

Quinta-feira, Maio 14, 2009

Chamar a Música, Parte I

O futebol é viveiro das mais variadas estirpes cromáticas, dando a conhecer ao Mundo características de determinadas personalidades que de outra forma estariam enterradas debaixo de uma pedra.
Exemplos há aos pontapés, desde às extraordinárias capacidades de actor de Luís Figo, ao sucesso de João Moutinho como empresário, até às revelações de Romicha e Chipenda como poetas, ou de Petar Mitharski como estofador de reconhecido gabarito.

Porém, estamos aqui hoje para falar de música. A música, tal como um drible de Ali El Omari, existe para nos ofertar momentos de êxtase, para nos reconfortar, envolver num doce abraço ou mesmo como forma de dar a volta à cabeça de uma jovem fêmea, embalada pelo canto romântico de um qualquer Clemente. Há mesmo quem diga que o canto musical é uma forma de engate mais eficaz que a cerveja ou que o visionamento do Sérgio Lavos a projectar muco para o relvado num Domingo à tarde.

Como tal, apresentamo-vos os futebolistas mais melódicos do panorama cromístico nacional, e suas infames desventuras no Mundo da K7 pirata e maxi-single da feira.

Respeitando a venerada ordem cronológica, iniciamos a nossa demanda por Itália, carismático País de inusitada formosura arquitectónica, de saboroso arrojo gastronómico e de Emanuele Pesaresi.

Corria o ano de 1981 (ainda faltavam 9 para o nascimento do messias Jonathan Matías Urretavizcaya da Luz) e na localidade de Avellino brilhava intensamente um diminuto avançado brasileiro, explosivo no arranque e de sorriso fácil no rosto. Dava pelo nome de Juary Filho e iria um dia escrever pela sua pena uma bela página do futebol europeu e mundial.

Mas primeiro, o cataclismo.





















Famoso pelos números de samba que realizava em torno das bandeirolas de canto depois de molhar o feijão na tapioca, o veloz Jotinha cultivou uma pequena horde de fãs. Um deles teve a infeliz ideia de lhe dar um microfone para a mão direita, uma pandeireta para a mão esquerda, e um artista gráfico presumivelmente amblíope para desenhar (?) este quadradinho de prazer que aqui vêem.
Juntem-lhe uma fotografia representativa de um Juary a berrar aos sete ventos "Tenho prisão de ventre!", e temos a receita macabra que resultou em "Sará Cosi", álbum também conhecido como "a primeira incursão do samba italiano pelas amargas vielas da depressão profunda".

Podem adquiri-lo por 15€ no Ebay. Eu não esperava nem mais um segundo, mas cada um sabe de si.

Linda de Suza não ficou famosa pelos seus dotes futebolísticos (ainda que Teolinda Joaquina - o seu nome de nascença - rivalizasse com um qualquer Rúben Micael deste Mundo), mas decidimos incluir a mademoiselle luso-francesa nestas infames desventuras do casamento melódico-cautchú.















Em 1987 (3 anos antes do nascimento do messias Jonathan Matías Urretavizcaya da Luz) vivia-se a loucura gerada em torno do genial astro argentino Diego Armando. Sendo uma astuta mulher de negócios, Teolinda decidiu elaborar uma receita que a levaria a patamares até então só ocupados por Amália Rodrigues. Era certinho: pegar na fama galopante da hiperactiva cantora de voz cristalina e adicionar-lhe o renome e proveito do melhor futebolista do Mundo.
Hm. Se calhar não era assim tão certo. O resultado final foi uma amálgama sonora tão estrambólica e desconfortável quanto um romântico beijo entre a Zita Seabra e o Vital Moreira num congresso do Partido Comunista.

Porém, Teolinda, com a sagacidade e tenacidade que a caracterizavam, não se deu por derrotada. Planeou cuidadosamente o regresso à ribalta, num cirúrgico remake que iria fazer o seu primeiro "casamento" com o esférico cair no esquecimento. No ano da graça de 1994, a chanteuse faria o seu retumbante retour às costas de um insigne joueur de foot, e obter a sua révanche perante o público luso-francês. Para tal, a nossa Suza decidiu seleccionar um indivíduo que fosse representativo de características comuns à própria baladeira e ao 10 argentino:
Rui Esteves.

Descrito por mais do que uma vez como um "Maradona contrafeito", este loiro elfo dos relvados carregaria a sua valise en carton por 11 clubes ao longo da sua carreira como profissional, cotando-se como um emigrante de luxo em Países como Inglaterra, Coreia, Allgarve e China, bem à imagem da cantatrice que o tomou como Musa.

Infelizmente, esta parceria correu tão bem quanto a primeira, arrastando Teolinda de Suza para uma precoce decadência e precipitando o final de sua carreira como a Tony Carreira feminina. Esteves, que destrocava futebol a alto nível no Sado antes desta aventura extra-futebol, recebeu o mais letal beijo da morte que um futebolista poderia almejar: uma transferência para o Benfica de Artur Jorge.

Não foi, com toda a certeza, o final feliz que todos desejariam, mas de uma coisa podemos ter a certeza. O vencedor não foi a música.

Iremos postar mais álbuns de referência musical-futeboleira em breve. Stay tuned.

Domingo, Maio 10, 2009

Sábias Palavras

Há médios que são comparados ao Maradona. E depois há médios que são comparados a electrodomésticos. Por exemplo, um micro-ondas. Hã, Dill, que tal? Os camones falavam muito dele. “Do we have a deal?”, perguntavam-lhe, “Yes, you have a Dill”, respondia-lhes de pronto. Dill é aquele tipo de pessoas que não vos deixará ficar mal.
Moses, ou a gana do monstro do Gana. Um paquiderme destrambelhado na área. Se não são atropelados pela força, são devastados pelo terror. Não há tempo para preliminares, é entrar a rebentar. O acto mais carinhoso que Moses conhece é oferecer uma gazela decepada ao treinador-adjunto. Não, não é um comboio sem travão – é Moses, a besta de carvão.
Há tudo. Faz tudo. Você quer? Orestes tem. Você precisa? Orestes diz que sim. Não há meios para os fins. Canela, bola, cotovelo, apalpão, é o que estiver à mão. Com licença. Sem licença. Serviço eficiente e personalizado que nem sequer passa recibo verde. “Multifuncional”, é o que é. Não confundir com “disfuncional”, por favor.
La Paglia é um ser lactente. Um mamão inveterado que transportou esta característica para dentro do campo, comportando-se a preceito: à mama, chorando pela bola, encharcando as fraldas ao primeiro toque, cercado no seu pequeno berço por uma míriade de adversários. La Paglia era um tipo no mínimo curioso. Um talento que andou aos gugu-dadás, com medo do escuro. E este é o pedaço de trivia que faltava a Gabriel Alves.

Sábado, Maio 02, 2009

Peña Fidel

Penafiel, 1989. A equipa da terra dos irmãos Oliveira fulgurava na Iª Divisão com os seus equipamentos rubro-negros patrocinados pelos pneus Continental. Um patrocínio ajustado: com efeito, as estrelas penafidelenses dessa época provinham dos mais variados continentes, inspiraram gerações de amantes do futebol por todos os continentes e faziam as compras no então novel Continente (obtendo sucessivos descontos em cartão).

Bio, da África Ocidental, era o esteio defensivo que iluminava todo o espaço desde a sua baliza até ao meio-campo, uma zona designada por Biosfera. O seu manancial de cortes e antecipações era tão alargado que até se inventou um termo para as soluções defensivas propiciadas por Bio: a Biodiversidade. Deixou uma legião de seguidores no Estádio 25 de Abril, que constituíram uma vertente da ciência especificamente dedicada ao estudo das suas qualidades defensivas: a Biologia. Foi percursor das Biografias, antologias relativas a personalidades marcantes. E quando se afastou do seu apogeu, entrou na era Biodegradável.

Nilson, por seu turno, tinha um aspecto asiático, mas na verdade era brasileiro. Era defesa, mas a caderneta pensava que era avançado. Ou seja, Nilson confundiu quem estava à sua volta, menos o seu treinador, que amiúde, e para não correr riscos, deixava-o no banco. Viveu à sombra de Bio e das suas próprias orelhas, que o dispensavam de usar qualquer sombrero nas tardes de maior canícula. Possuía uma dentição própria de quem subiu a pulso na vida, mascando cartilagens de animais amazónicos e canas-de-açúcar ao pequeno-almoço.

Na intermediária, o brasileiríssimo Zinho emprestava uma qualidade gourmet ao jogo directo dos penafidelenses. Ele fazia tudo com muito requinte. Zinho não despachava balões em profundidade, fazia passeZinhos recheados de mel. Não corria quilómetros, corria apenas um bocaditoZinho, o suficiente para recuperar a bola apenas com um esforçoZinho. O jogo de Zinho desenvolvia-se num pequeno espaçoZinho e ele gostava de cobrar livreZinhos directos com efeitos de folhas secaZinhas. Tão secaZinhas que os guarda-redes contrários facilmente adivinhavam onde cairia o esférico. “PobreZinho”, desesperavam os adeptos.

Na frente, o furacão paraguaio Amâncio. Amâncio era veneno para as defesas contrárias e um verdadeiro patife da área, algo que, aliás, deriva do seu cabelo decalcado do Átila do "Duarte & Companhia" (no link, podem ver Amâncio e o seu camarada de armas Borges). Amâncio aprendeu a ser letal com os seus parentes índios mas nunca fumou cachimbos da paz. Não; Amâncio estava sempre pelejando contra as defensivas oponentes e coleccionou vários assaltos aos autocarros e comboios que se estacionavam junto às grandes áreas adversárias. Abanou redes por todo o país e muitos ofereceram recompensas para o travar, morto ou vivo, mas sempre em vão.

Por falar em “vão”, eis Djão, moçambicano com cartel em Portugal durante os anos 80. Djão era o vinagre que temperava as belas saladas de Amâncio, constituindo este par a dupla que mais alimentou a fome de golos duriense. Reclamou para si muitos dos méritos ofensivos do Penafiel de então. Dizia, ufano, “este golo teve os marca dos João”, que era o seu verdadeiro nome. Disse “do João” tantas vezes e com tanta insistência que Djão acabou por se tornar o seu nome de guerra. Djamais visto parado no último terço ofensivo, Djão esteve a um passo de alcançar voos maiores na sua prolífera carreira, mas dizem que provocava mau ambiente nos balneários. Tudo porque, alegadamente, libertava gases fétidos capazes de desmoralizar todo o plantel. Djão desculpava-se: “Os culpa não é meu, os culpa é dos feiDjão que comi ao almoço”.

E por fim, o portuguesíssimo Tó Portela. Tó Portela não acalentava esperanças desmedidas, contentava-se em passear pelo país e em testar os bancos de suplentes aos Domingos. Como se pode ver, Tó Portela dispensava calções; ia logo de calças em direcção ao banco e esperava tranquilamente pelo final do jogo. Quando aquecia era sinal que alguma coisa estava mesmo mal. Em jeito de balanço, Tó Portela sente-se bastante orgulhoso da sua carreira, pois foi-lhe reconhecido o seu jeito único para percorrer os metros que separavam o balneário do banco de suplentes. Protagonizar esta aparentemente simples acção com o savoir-faire de Tó Portela não é para qualquer um.

Sábado, Abril 25, 2009

III Divisão e Distrital Lisboa - Desculpe, como disse?

Caros leitores,

Eis que está prestes a terminar mais uma época de futebol.
E o que é o futebol?
É um belo desporto que alguns praticam, e outros não deixam praticar.
É um belo desporto em que reinam os bairrismos e os clubismos.
É um belo desporto onde reina tudo ... reina tudo o que é nome. Tudo o que é nome está no futebol.
Immmmpressionante a recolha de nomes que a nossa equipa no terreno foi fazendo nos últimos meses.
E assim, reparem só no plantel que conseguimos fazer de equipas da III Divisão e distrital Lisboa.
Ah, alguns terão direito a post individual !!

GR
Xixa (Pêro Pinheiro)
Panaca (Reguengos)
Seburida (Futebol Benfica)
Tecelão (Cacém)

DEFESAS
Veludo (Cacém)
Forner (Futebol Benfica).. eu disse Forner, ó pessoal!! nada dessas caras..
Kay Nó (Juv. Évora)
Tarzan (Tondela)
Paulo Pina (Caparica) .. ele lá sabe o que faz
Mosca (Tojal)
Tralhão (Cova da Piedade) ... que grande nome para um defesa.. aposto que é Central





















MÉDIOS

Bem (Reguengos)
Balão (Cacém)
Passarão (Bucelas)
Luís Carrega (Castrense)... só se for com a equipa .. ou com a baliza às costas
Salhetas (Castrense) ... desculpe, como disse?!
Paulo Surf (Musgueira) ... deve ser loiro, alto, e leva a prancha para o balneário
Tiririca

AVANÇADOS
Capitão Mor (Fabril)
Sopas (Tocha)
Estanqueiro (Tocha)
Pipi (Silves)... um bom Pipi tem sempre lugar
Cá Sá (Povoense)... e lá o que será?
Pólvora (Linda-a-Velha)
Fixe (Benfica de Castelo Branco)... eu penso, será que algum dia alguém chega longe com este nome? nnnnnnnnnnahhhhhhhh..
Mix (Bucelas)

Esta equipa seria treinada por Nuno Presume (Fabril), coadjuvado por António Remelgado (Coimbrões) e Carlos Rilhas (Pêro Pinheiro).

Em breve , notícias de alguns destes jogadores e dos mijters..
E já sabe, se encontrar por aí algum deles, seja ao vivo, no supermercado, nas obras, ou mesmo num jardim cheio de pombas.. ria-se

Informações Úteis

Não se esqueça:

Um bom café é aquele café deliciosamente temperado com um generoso Torrão de açúcar. Sem um Torrão de açúcar o café não é simplesmente a mesma coisa. E se o Torrão em causa for patrocinado pelos Cafés Delta, sabemos que estamos perante um Torrão de elevada qualidade, capaz de emprestar ao seu café o travo que o fará sentir como um George Clooney dentro de uma loja Nespresso cheia de mulheres.
Siga este nosso conselho todas as manhãs e verá como o seu rendimento diário incrementará a olhos vistos.
E por falar em vistas, o Boavista sabe o que nós queremos dizer com isto do “rendimento incrementado”. Ou melhor, sabia. Agora é mais Mokambo em copo de plástico e sem açúcar, que o orçamento não dá para mais.

A Árvore das Patacas é uma frondosa árvore apetecível pela qualidade dos seus frutos, mas cautela: saiba distinguir as Patacas boas daquelas que são indigestas.
As Patacas podres adquirem um tom acastanhado e enrugado, acumulando-se no chão, junto à base do tronco. Se ingeridas, provocam diarreias, enxaquecas, cruzamentos desmedidos ao segundo poste e lapsos de memória que amiúde previnem de marcar os extremos-esquerdos como deve ser.
Evite estas maleitas e recolha as Patacas boas e sorridentes directamente da árvore.

Se sair à noite, lembre-se das consequências da ingestão de álcool em excesso. As costumeiras figuras tristes que lhe são inerentes são sobejamente conhecidas, mas é possível que um indivíduo perca completamente a sua face e, pior que isso, transfigure-a completamente. Ou seja, o álcool é capaz de transformar um defesa-esquerdo que vai jogando no Sporting num semi-anónimo defesa-central camaronês que um dia hat-trickou contra o Sporting.
Muita moderação, portanto, se quiser evitar surpresas.

Portugal é um país inusitado no qual localidades inteiras podem migrar durante temporadas. Verifique se o seu mapa se encontra devidamente actualizado antes de se fazer à estrada.
Por exemplo, é possível que um Mangualde, que todos pensávamos estar ali perto de Viseu, se tenha mudado de armas e bagagens para Paços de Ferreira, enquanto que o Alhandra, que todos julgávamos emparedado entre a Cimpor e o rio Tejo, poderá ser visto um pouco mais a norte, em Leiria.
Quer dizer, se é que os dezasseis ou dezassete indivíduos que vêem os jogos em Leiria alguma vez notaram pela presença dele. O mais provável é que tivessem aproveitado toda aquela tranquilidade para curar insónias.

Quarta-feira, Abril 22, 2009

Kill Kill Kill - Doppelgänger MCXVIII

















um bem haja ao leitor castor pela sagaz e astuta observação.
(para ele, um caramelizado fertout)

Domingo, Abril 19, 2009

Bafode Watch Março


Março, o mês Bafodiano por excelência.
Devido a compromissos da A Team (com Queiroz ao leme de seus muchachos vencedores!! ou talvez não..) e da brilhante Taça da Liga (onde Lucílio Bappppptista mostrou uma vez mais que não há mão nos árbitros portugueses.. e estes fazem o que querem), Março apenas teve 3 jogos para o campeonato.


Bafode exulta , porque quanto menos jogos, menos hipóteses há de dizer, "ei pá, tanto jogo e o Bafode não joga !!"...assim dir-se-à, "o Bafode até é do Carvalho pá. Até joga uns minutos nos poucos minutos que se jogam na II Liga".
E assim foi.

1º jogo - Estoril contra Freamunde, no campo da Amoreira. Que eficácia. Bafode entra em campo aos 72 minutos. Aos 79 scora, marca, finaliza!! É ele! GOOOOOOOOOOOOLO! Bafodeu o Tó Miranda, eterno redes do Freamundas. Aos 79 também, vê amarelo.. quiçá por festejar de uma maneira ... pá, como dizer... do carvalho!!

2º jogo - U. Leiria recebe o Estoril. João Carlos Pereira , eterno miscchter do Nacional 4- FCP 0, deixa a sua pérola no banco. Bafode entra pouco depois do intervalo, aos 58 minutos. Joga por isso 32min! Que recorde do Carvalho! O Estoril ganhava em Leiria 2-1 nessa altura..
mas Bafodeu-se tudo. O Leiria dá a volta e ganha por 4-2. O desespero, o horror, o carvalho..

3º jogo - Estoril recebe Santa Clara. Mais uma vez o Estoril na busca de um bom resultado. 1-1 aos 75 minutos.. eis que entra Bafode. Pois, e qual foi o resultado? 1-2 . Nova derrota do Estoril. Consta que nessa noite o Bafode Dabo Carvalho foi ao Casino do próprio clube estourar o prémio de jogo recebido quando marcou o golo ao Freamunde.

E assim, Bafode é neste momento o 10º jogador da Liga Vitalis que menos demora a marcar um golo. Em cada 155 minutos aí está a bola dentro das redes.. Obrigado Bafode pelo teu Bafo..de Golo.
Sic transit gloria mundi in Estoril Praia imundi.

Terça-feira, Abril 14, 2009

Voando Sobre Um Ninho De Cucos

Podíamos divertir-nos sem conhecer o João Gabriel? Podíamos. Mas não seria a mesma coisa.” (Luís Freitas Lobo, enquanto temporizava uma transição ofensiva apoiada num pivot que sabe preencher os espaços)

Há, de facto, uma intensidade muito Nicholsiana no olhar de João Gabriel. Ou apenas loucura, dirão alguns. Tudo depende do grau artístico com que olhamos para a personagem.
Parece consensual que Gabriel voa sobre um ninho de cucos, gaivotas e outras aves com uma expressão insana, como que anunciando “Heeeeeere’s Johnny!”. E não é que o tipo se chama mesmo João? Esta é uma coincidência tão marcante quanto um machado espetado numa porta de madeira. É verdade que de cientista e de louco temos todos um pouco, mas o Gabriel parece dosear uma das componentes com um evidente excesso; apostamos que não deve tardar muito para Gabriel começar a correr num labirinto à neve após ter passado uma noite de farra com alguns amigos imaginários.
All work and no play makes Johnny Gabriel a dull boy”. E é verdade. Vejam o aspecto cansado que emana daquela barba por fazer. Beber tanta Carlsberg e proclamar essa funesta façanha aos quatro ventos é capaz de não ter sido uma boa ideia. E estar recorrentemente a ler textos escritos por outras mãos em conferências de imprensa também não – especialmente, quando esses textos contêm tantos erros ortográficos quanto os múltiplos braços de Wagnão e Pedro Silva. Jorge Sampaio pelo menos escrevia sem erros, embora desconhecesse quanto pó podia caber num pneu.
O estilo psicopático de Gabriel propicia a polémica. A Cromos da Bola, SAD recolheu alguns depoimentos que atestam esse frisson gerado pelo lunático Gabriel, o assessor de aspecto mais esquizofrénico do momento. Passemos então a palavra a terceiros, antes que o aparentemente instável Gabriel nos atinja com uma das suas famosas exposições entregues em sede própria:

É um homem dos meus, de barba rija! O meu arroto de saudação para ele! BUUURP!” (Leonor Pinhão, a fazer de conta que lia a Maxmen com uma mão, enquanto coçava a virilha pelo buraco dos jeans com a unha do mindinho da outra mão)

O senhôur Gabriele? Está muito bênhe! Douê os meus bibas a esse graunde bulto da comunicaçõuê!” (Sílvio Cervan, ignorando a presença de Dias Ferreira, mesmo com as dioptrias no máximo)

Graaaur! Grrrrrr!… Auf! Auf! Grrrrrrr!” (Dias Ferreira, babando-se para cima de Sílvio Cervan, apesar do açaime)

Objectivamente, e tendo em conta a sua posição, trata-se de um…” (Guilherme Aguiar, antes de ser interrompido)

Tivemos alguns momentos de efusiva proeminência linguística que muito contribuíram para elevar os patamares do sentimento lusitano, não raras vezes imbuídos por uma bilateralidade afectuosa salutar. Infelizmente, o inexorável respingar secular dos ponteiros sobre o quartzo tornou a nossa quotidiana convivência uma memória longínqua que, não obstante, jamais conseguirei olvidar… snif…” (Jorge Sampaio, abraçado a Manuel Machado, vertendo uma lágrima)

… como o seu treinador Cuíkeh Flores. Objectiva e indiscutivelmente.” (Guilherme Aguiar, depois de ser interrompido).

Vou-me embora! Agora é que é! Vou-me embora! Já chega! Quero lá saber das contas! Ninguém me chama lacaio de ninguém!” (Soares Franco, enquanto levava calduços de empregados do BES numa rodinha lá para os lados do Estoril)

Hãããã… o doutor… hããããããã… como eu dizia… ooooo… hããããããã… doutor… hã? Não ouvi bem… continuando… hããããã…” (Dias da Cunha. Acabou a frase às 3 da manhã. Já lá não estávamos.)

Até quando estive três jogos sem ganhar tinha os dentes mais limpos que esse tipo.” (Jesualdo Ferreira, tentando lembrar-se quem seria o gajo que tinha cabelo de bananeira e que comia amendoins durante o treino – era o Guarín)

Mira, tío; yo no sé quien es Juan Gabriel, pero estoy en una posición muy buena en la poll de esto blog; yo nunca estuve tan cerca de ganar alguna cosa en mi vida, icoño!” (Escalona, visivelmente emocionado perante o que pode ser o ponto mais alto da sua carreira)
(Rui Costa, o Santo Patriarca dos Túneis)

Sábado, Abril 11, 2009

The G-Spot* Tomo I












Povo da Bola,
é com orgulho e galhardia que vos comunico a descoberta (um Bem-Haja) do caramelizado Twitter de um Senhor que foi uma das inspirações para a génese deste vosso blog: o verboso Príncipe do discurso casuístico, Gabriel Alves.

Para primeira amostra, transcrevo-vos algumas frases e expressões da divindade geométrico-lúdica:

- "Após humilhar o Sporting a dois tempos, Bayern é vulgarizado no Camp Nou. Quem ri por último, ri melhor mas o Sporting, esse, chora."

-"Mesmo frente ao gigante Golias, o mero tocador de harpa pode sonhar. Porto possui artistas e música para embalar a Europa. Haja coragem."













-"Cajuda, a desilusão de um marinheiro com farol à vista incapaz de navegar para bom porto. No mar como no futebol, o seu rumo é a derrota."

-"Piloto a conduzir Briosa à vitoria. Em jogo digno de distrital, Domingos prolonga o jejum de Pacheco esta quaresma. Paciência."

-"Queiroz doma Zulus com beijo de Twala, o Judas Bafana. Entre amigos somam-se conquistas, faz-se a barba, mas não se limpa a imagem pobre."

-"Queiroz brando com alunos. Precisa-se dum Pol Pot ao comando dos Khmer Rouge, não um Kerensky a liderar o proletariado. Espera-se melhor."

-"Volvidos quatro dias, a final da Taça da Liga continua a jogar-se fora das arestas que definem o quadrângulo mágico do futebol. Uma pena."

-"
A liga inglesa continua imparável. Emoção, espectáculo, a incerteza do resultado, um público afável com cantares simpáticos. Isto é futebol.

Prometemos estar atentos no futuro, garimpando o Twitter do Monarca da Prosa do Couro em busca de novas actualizações.

The G-Spot will be back.

* twitter de gabriel alves, um simples amante da geometria desportiva

Domingo, Abril 05, 2009

New Old School

Hoje proponho que nos mantenhamos na senda da Old School, mais propriamente na New School, que apesar de não ser Old, é New, porém cheira sobretudo a Old. Isto apesar de ser - e não ser - New.

Passo a desenvolver: Feliciano, o abono de família de Vizela (na verdade não será mais que o Rendimento Mínimo Garantido), é um jovem. Vinte e sete anos de idade, já com uma bonita história para contar, mas ainda com uma longa vida profissional pela frente. Uma espécie de Rui Barros dos pobres, o diminuto natural de Cabeceiras de Basto extermina as linhas defensivas da Vitalis League há três anos ininterruptos, estando a construir um legado similar ao do lendário Bock, mas em tamanho de bolso. 


A pequena locomotiva é um petiz cheio de sonhos e ambições, com um espírito inquebrantável de quem não consegue chegar à prateleira de cima para tirar uma lata de pêssegos em calda, mas que não se importa de abraçar o doce beijo de um traumatismo craniano para atingir a dita latinha.
Se é verdade que esta atitude pelejadora pode dar um gostinho de Old School ao cocktail cromático, decerto não poderá atribuir-lhe essa característica per si.

Procuremos então mais um ingrediente...
Fácil. A calvície cavalgante.

Nestes negros dias do futebol metrosexual dominado por binómios capilares Miguel-Djaló, camisolinhas tamanho "XS" directamente importadas da Roma de Totti para o amassado cacifo de Simon Vukcevic, ou partilhas de bandoletes entre Nuno Gomes e Moretto, é tarefa impossível encontrar um calciatore desmazelado, que jogue a bola pela bola e não encare o verde tapete como uma passadeira vermelha.

Percepção é realidade, e um Miguel com corte à escovinha e provecto bigode não seria um Miguel assim, um Miguel daqueles Migueis que o Mundo inteiro conhece à base do primeiro nome - Miguel - e que tem a oportunidade de se referir a si próprio na terceira pessoa. Porque um Miguel na terceira pessoa é um Miguel fresquinho, um Miguel arejado, perfumado e um Miguel que não suja o equipamento.
Por outro lado, um Miguel com bigode não seria Miguel: seria um "Filho Daquele Ex-Jogador do Benfica Que Também Tinha Bigode". E indignidade das indignidades, não se poderia referir a si mesmo na terceira pessoa. Teria que utilizar a primeira pessoa, coisa de ralé, de gente pobre, feia, que cheira a cavalo e joga a lateral-esquerdo.

E o que é que o cromo do Feliciano tem a ver com isto, perguntais vós?
O Feliciano é o anti-Miguel.
O Feliciano tem a calvície a bater à porta e convida-a entrar. Pior, bebe uma bejeca com ela enquanto vêem uma vetusta VHS do Baywatch sentados num sofá bege com resguardo.
O Feliciano não se refere ao Feliciano na terceira pessoa. Aliás, o Feliciano não está a par da existência da terceira pessoa. O Feliciano não está sequer a par da existência da gramática.
"Gramática? Não sei o que é, mas cheira-me a paneleirice.", diz ele.
O Feliciano cheira mal.
O Feliciano gosta de cheirar mal.
O Feliciano não faz a barba.
"Fazer a barba? Não sei o que é, mas cheira-me a paneleirice.", diz ele.
O Feliciano não sorri para a fotografia. Aliás, Feliciano só sorri em duas ocasiões: quando expele gás pelo ânus e no final de uma visita satisfatória ao pinhal. Ao pinhal, porque "urinóis são para paneleiros", diz ele.

O Feliciano tem 1,70m e gosta. Não utiliza truques de vestuário para parecer mais alto. Não calça sapatilhas com amortecedores ou botinha com sola de 50 cm. Só usa chinelo.
"Calçado é para paneleiros. Homem que é homem usa chinelo de borracha com meia branca."

O Feliciano não festeja golos.
"Demonstrações públicas de felicidade são para paneleiros.", diz ele.


O Feliciano joga com o mesmo equipamento desde que saiu do Cabeceirense, em 2004.
"Lavar coisas é sinal de fraqueza. Desperdício. Eu lavo o equipamento com o suor que me sai do corpo. Quem gosta de água é paneleiro."

Feliciano é New, mas despreza a New School. Feliciano não é Old, mas a Old School é Feliciano.
E nós, no Cromos da Bola, SAD, gostamos do Feliciano. Por muito paneleiro que isso possa parecer.

Terroristas Disfarçados

Este registo fotográfico é deveras surpreendente. Diríamos mesmo que chega a ser embaraçoso, atendendo às nódoas negras que preenchem o currículo escrito a sangue destes quatro terroristas do futebol português.
O que fez então com que estas máquinas de destruição em movimento dessem as mãos como se estivessem no jardim da Celeste, prontos a saltitar numa rodinha enquanto entoavam o “giroflé-giroflá”?
Estaria a ser formada uma união sindical de matadores em pleno relvado?
Seria um programa de promoção ao filme "Street Fighter"?
Pura manobra de diversão?
Talvez um pouco de tudo. Antes deste V. GuimarãesF.C. Porto de 1995 tinham ocorrido incidentes entre adeptos fora do estádio, um pouco à imagem do que estes carniceiros faziam dentro de campo. Ou seja, uma mistura entre boxe e luta livre onde valeu tudo, excepto golpes legais. Foi o célebre episódio da Anabela, uma extrovertida menina da Ribeira que fez questão de mostrar ao mundo o orgulho que sentia da sua zona pélvica, perante a escolta complacente dos polícias.

Os nervos estavam em franja. Paulinho Santos, quiçá o mais implacável de todos os jogadores que escaparam por qualquer motivo a uma extraordinária carreira nos Comandos, salivava como um pitbull espicaçado, excitado pela perspectiva de sangue.
- Vamos a eles, carago! Vou rebentar as trombas do Vorkapic com um rotativo à meia-volta! E o Pedro Barbosa vai desejar nunca ter saído da croissanteria! – espumava Paulinho de dentes cerrados, equipando-se com soqueiras, pontiagudos alfinetes de 16mm e granadas de fragmentação.
João Pinto, mais discreto, sabia todo o bê-á-bá das cuspidelas e das rasteiras matreiras de trás para a frente, sendo uma autoridade internacional devidamente credenciada neste domínio. Raramente falhava um carrinho a pés juntos. Estava sempre a par de todas as inovações do jogo sujo e planeava fazer um mestrado em Minas e Armadilhas Ao Primeiro Poste, estagiando junto da ETA e do IRA. Já tinha agarrado o seu bisturi e preparava-se para esfrangalhar cirurgicamente os nervos de qualquer Dane que lhe aparecesse à ilharga.
Do outro lado do balneário, Tanta pintava a cara como se estivesse no filme “O Predador” (o primeiro deles, claro). Olhos fixos no inimigo, apontava o dedo a Latapy e sussurrava-lhe “tu de hoje não passas”, jurando-lhe vingança por qualquer coisa não identificada. Autêntico talhante sem piedade, Tanta podia cortar ossos apenas com o uso das mãos e dentes. Tanta actuava dentro do relvado como se estivesse numa guerrilha pela independência de um país qualquer da América Latina.
Ao seu lado, Matias. Matias era uma espécie de patife da taberna, que em vez de limpar o vinho do bigode limpava sangue. Entre uma mini e uma travessa de moelas, Matias acumulava pequenos crimes, uma ou outra esfaqueadela com o canivete, um ou outro corta-unhas espetado nas zonas baixas dos oponentes. Matias espalhava o terror junto à meia-lua e não se coibia de roubar doces às crianças, se sentisse que isso seria um bom complemento aos seus torresmos. Estava pronto para fazer perder a Paciência ao Domingos e indicou esse desejo ao soltar um traque sonoro e nauseabundo à entrada das quatro linhas.

Porém, a ideia dos dirigentes era outra: havia que apaziguar os ânimos, dar uma imagem de moralização. E então surgiu a ideia de mascarar estes perigosos meliantes dos relvados de meninos da pré-primária.
- Eh pá, que mariquice, carago! Posso ao menos beliscar os braços deles? – desabafou Paulinho.
- Vou agarrar-lhes as mãos com tanta força que os tipos vão ficar sem poder tocar piano o resto da vida! – avisou João Pinto.
- Ué? Prometji qui não tenho qui cantá? É qui eu sô muito mau a cantá o “Atchirêi o Pau Ao Gato”… – soltou o perplexo Tanta, totalmente aturdido com a sugestão.
- Para mim tudo bem. Eu vou logo para o coito e não me apanham! – disse Matias, para quem as traquinices nunca eram demais.

E lá foram eles, talvez para o mais humilhante retrato público das suas violentas carreiras. A imagem que ficou na memória do público foi aquela lá de cima, mas a imagem que eles queriam que o público retivesse era esta aqui de baixo:

Quarta-feira, Abril 01, 2009

Palavras Para Quê?

Não há muito a dizer sobre Rodolfo Rodriguez (com “z”, que o gajo não é meu primo – ufa!). É até muito sensato não o fazer, sob pena dele vir atrás de nós encabeçando um grupo de mariachis assassinos.

O uruguaio que foi ídolo no Brasil e que passeou o seu golpe de vista pelo Campo Grande.

Perdeu o lugar para o quarentão Damas. Por causa da experiência.
Perdeu o lugar para o jovem Rui Correia. Por causa dos reflexos.
Perdeu o lugar para o elástico Vital. Porque sim.

Assumiu que tinha cara feia e que não tinha culpa disso.
Foi esta a sua grande defesa.

Isto é pura “old school”. Um cromo a 100%. Um bigode a 200%.

Sexta-feira, Março 27, 2009

Cara de Campeão, Jogo de Canastrão

Lisboa, Agosto de 1996.

Jamir: "E o Benfica vai ser campeão!"
Donizete: "E o Benfica tem cara de campeão!"

É certo que os brasileiros nunca foram grande coisa a prever o futuro, ou não tivesse o então petiz Kaká estado a aquecer o banco para Léo "Gascoigne Carioca" Lima nas camadas jovens do escrete. Esse sim, era a grande promessa. Esse e o Leandro do Bomfim, símbolo máximo da criatividade extemporânea do futebol feito arte plástica espelhada no quadro da vida.

Porém, estes dois mamíferos exageraram.

Tudo bem, a pré-época é a primavera da vida. Um mês antes do esférico rolar comme il faut, todos os sonhos são permitidos, todo o Escalona é Roberto Carlos, todo o Bossio é Oliver Kahn, e todo o Benfica é pré-campeão. Pelo menos para o diário "A Bola".

Mas em 1996/1997? Uma equipa cujo esteio defensivo dava pelo nome de Jorge "Own Goal" Bermúdez, cujo centrocampista nuclear era um cinquentão Valdo, bem secundado por Nica Basarab e José Calado, que serviam perfumadas trufas numa bandeja de ouro a Hassan Nader, Fabrice Alcebíade Maieco e ao mortífero carteiro sem aviso de recepção, Martin, o Pringle? Esse Benfica?

OK, Jamir. Seja feita a tua vontade.
E daí, talvez não.
O clube do jovem Jamir acabaria o campeonato a 27 pontos do campeão, nada menos que uma equipa que contava com nomes do calibre de Andrzej "Popeye" Wozniak, Lars "Not Ulrich" Eriksson, Silvino "Não Sou" Louro e Henrique "Eu Assisti À Segunda Fase Da Revolução Industrial" Hilário para defender o seu último reduto.

Mas seja feita justiça ao coriáceo centrocampista de Vera Cruz. Diga-se aqui que não terá sido por sua culpa que o Sport Lisboa de seu coração não terá sorvido o cálice da glória do seio do triunfo.
Aos olhos da crítica (que não os do Coveiro Amaral, sempre discordantes entre si) Jamir foi um dos raios de luz que aqueceram o longo e gélido inverno lisboeta de 96/97. Brilhante na forma esquemática como interpretava a táctica do pirilau, emprestando-lhe uma passividade dotada de inteligência emocional ao mais alto nível.


Sejamos francos: será a passividade ofensiva um crime de lés-a-águia, quando nas asas de um condor o sonho desliza impotente, sem Rei nem Hélio Roque, sem Ilian Iliev ou pedra de toque?
Será a não-participação nas tarefas defensivas punível com a guilhotina dos críticos, ou será apenas uma mera descarga de esgoto num outrora límpido lago, somente inquinado em dias ímpares por Hélderes holandeses de nome Glenn?

Será a falta de talento condenável com pena capital, ou será uma mera fatalidade semelhante a uma lesão muscular do Hugo Leal?

Questões que ficam por responder, tal como Paulo Autuori ainda espera tranquilamente que Jamir responda de primeira a um cruzamento de Donizete vindo da direita. Porque uma vez pé-canhão, sempre pé-canhão.

Terça-feira, Março 24, 2009

Edinho Na Selecção!

Finalmente, o reconhecimento: Edinho foi chamado à Selecção!

Já não era sem tempo. Aos 42 anos e ainda a jogar no quase devoluto Farense, depois de ter passado por Olhanense, Portimonense, Chaves (no cromo), Guimarães, Sporting (deu um passôbem ao Paulinho e foi imediatamente retocar a permanente), Bradford, Dunfermline (só para estar perto da destilaria do Johnny Walker), Portimonense – outra vez, U. Lamas, Vizela, Olhanense – outra vez, Portosantense, Juventude de Évora e Campinense, Edinho recebeu o merecido prémio-carreira e estará na Selecção de todos nós.
… de “todos nós”, no sentido de sermos mesmo todos, desde portugueses a brasileiros, passando por ucranianos, togolesas com enormes espaços entre os dentes, esquimós e o Ronny; é mesmo a Selecção mais abrangente que possam imaginar e se o vosso cão tiver jeito para a bola, mesmo que seja um pastor alemão… não percam tempo e tragam-no a um treino de captação, OK? Depois alteramos o pedigree e ele fica logo seleccionável. Não se preocupem.

Agora sim, com Edinho estão reunidas as condições para atacarmos a qualificação em peso. E quando falamos de Edinho e de peso na mesma frase não o fazemos de forma inocente. Sim, porque Edinho, essa máquina de golos com sotaque sopinha de massa, continua em forma e não dispensa um belo cachorro quente a transbordar de maionese e mostarda em cada 15 minutos do jogo. Isto é, Edinho mantém, aos 42 anos, uma forma física invejável capaz de corar qualquer uma das bochechas do Pedro Morcela.

Pode já não ter a sagacidade dos velhos tempos, nem os rui-sânticos caracóis que lhe decoravam a sua jovem face, mas certamente que o seu histórico poder de fogo despertou em Carlos Queirós uma nostalgia inquebrantável que o fez constatar: “Isto só lá vai com o Edinho, o torpedeiro de Chaves. Ele vai ser o nosso homem”.
Agostinho Oliveira, também ele dotado de uma bela composição capilar, a(d)juntou “de Chaves e de mais uma catrefada de sítios, pá” e Queirós ficou sem dúvidas “Ena pá, é isso mesmo, o nosso pequeno bombardeiro identifica-se muito mais com o país real do que por exemplo… eu mesmo!”. E estava selada a surpresa.

Contudo, a verdade veiculada pela imprensa dá conta dessa surpresa, mas envolvendo outro Edinho. A Cromos da Bola, SAD, explica o que se passou. Edinho estava a recuperar energias após um treino geriátrico sem bola numa piscina cheia de banha de porco quando recebeu a chamada do Professor Queirós. “Blá-blá-blá… crise de avançados… blá-blá-blá… falta de carisma e experiência… blá-blá-blá… estás convocado!”. Edinho até se engasgou com um frasco de manteiga de amendoim: “Como é meizmo? Você tá convocando eu prá jogá por Porrtugáu?
- É isso mesmo, pequeno Eduardo. Tu serás a nossa arma secreta!
Mas Edinho mostrou-se irredutível:
- Dji jeito nénhum! Estou muito lêgáu aqui no Eispórtjingui Farensi, não tô prá enchê o sácu com êssis caras aí, pô! Aléim du mais, já tô comprometchido com a sêlêção do Rwanda. Ou do Burkina-Faso. Não sei bem, mais vô sê o Roger Milla dus caras e vô jogá lá assim qui fizé os 45 ânu, tá entendendu?
Dito isto, Edinho desligou com um desprezo só possível a quem já marcou golos de cabeça mesmo não tendo 150 centímetros de altura.
Queirós encarou a nega com tranquilidade.
- E agora, pá, e agora?!? Este anão goleador era a minha última esperança! Que vou eu fazer? O Moreira de Sá disse que não, não percebi o que o Serifo disse, o Paulo Alves não me disse nada… e agora que até já tínhamos revelado o nome à imprensa e tudo… que se lixe, vou já tomar a cápsula de cianeto!
Mas Agostinho foi a tempo de evitar males maiores.
- Eh pá, ó Carlos, a gente arranja aí um Edinho qualquer e ficas bem na fotografia. Vais ver.

E pronto, lá arranjaram um Edinho qualquer na Grécia, um português nem bem de gema, nem bem de clara, mas ainda assim um tipo que pode atrapalhar os suecos, quanto mais não seja por ter escapado ao relatório dos seus olheiros.
Apesar de tudo, uma coisa não conseguirão mascarar: esta convocatória era para este Edinho.
Aliás, na nossa memória só existe este Edinho. E ele já ocupa demasiado espaço para poder caber outro Edinho.

Segunda-feira, Março 23, 2009

Patologias e Talentos Escondidos

















Sempre em cima do acontecimento, Cromos da Bola, SAD descobriu o passado do reguila lateral direito sportinguista, reputado craque em modalidades que nada têm a ver com o nosso amado cautchú.

Realçamos a cândida e piedosa decisão do Comité Olímpico, que permitiu a Pedro Silva tomar parte dos Jogos, apesar da sua anomalia física, causada pela patologia taçaligusbenfikose multiplae, que já atingira o ex-estrelista Wagnão, como documentado neste blog em Setembro de 2007.

Segunda-feira, Março 16, 2009

Pollga? He's back!


Hoje falamos de regressos. Não propriamente do D. Sebastião ucraniano, Kandaurov, mas das sempre aguardadas Pollgas, verdadeiras traves mestras deste humilde e sempre kassumoviano blog.
Sem mais delongas, auto-golos, escorreganços à saída da pequena área e falhas de marcação, passamos a apresentar a mais recente Pollga do excelso blog.

Tal como Carlos Queiróz, Enrique Flores, Robert Redford, Paulo Bento, Alberto Pazos, Coelho da Páscoa e Jesualdo Ferreira, nós queremos um lateral esquerdo.

Quem?

Escalona, Nito, Kasongo, Rojas, Minto, Pesaresi, Balajic, Lino, Ezequias, Will Quevedo, Lila, Marian Had, Ronny, Mareque, Abazaj, Quim Berto, Diogo Luís, Paulo Banha Torres, El Hadrioui, Leonel, Vlk, Nelo, Briguel, Caetano, Sepsi, Erivan, Areias, Pedro Henriques, Rubens Jr., Vujacic, Pedrosa, Bruno Basto, Kenedy, Tito, Rogério Matias, Milhazes, Rabarivony, Bajcetic, Leandro, Eusébio ou Margarido?...

Não sabemos. Mas contamos convosco para seleccionar 10 homens apenas desta mixórdia de nomes inaptos, heteróclitos, esdrúxulos, lânguidos e alqubrados - e no caso de Vlk, sem vogais - em breve trecho.

Deixamo-vos também com o estado de coisas do nosso "11 Cromos da Bola, SAD".

May God(eméche) be With You.


clickar nas imagens para ampliar

Sábado, Março 14, 2009

Bafode o Fevereiro todo


O mês começou com uma vitória sobre o Olhanense de Guga Rasta Man, Jorge Costa Bicho Man, Rui Baião Man, e Djalmir goleador man. Grande vitória sobre o 1º classificado... mas Bafode não foi usado, utilizado, minutizado ou mesmo que fosse um pequeno bafo de bola.

Jogo seguinte, há que ir ao centro do país à terra da Oliveira do Azeméis, onde se liam cartazes na bancada como : "Aqui em Azeméis o Bafode vai andar ao papéis". O público exultava, exaltava e saltava.. e eis que surge Bafode Dabo do Carvalho aos 68 minutos (Obrigado João Carlos Pereira por pores a jogar o nosso menino) em campo. e nesm 10 minutos depois, Bafode rompe e acaba com o jogo.. é goooooooooooooooooooooooooooolo !!!! bafodendo o jogo todo e a equipa da casa que se tentava segurar na II Liga. 75 minutos, 1º golo de Bafode na Liga mais Bafodida de todas. 76 minutos, o nosso Watchado Dabo recebe amarelo. Portanto, pode-se dizer que Bafode em 20 minutos participou em praticamente todas os items das estatísticas oficiais e rascunhos dos jornalistas presentes. O dia foi de "Bafode, o homem com que nem Oliveira de Azeméis pode".

Jogo seguinte, em casa. O regresso do herói, o Suuuuuuuuuuuper-Bafooooooooooooooooode. Contra o Feirense, candidado e concorrente do Estoril-Praia (como é que um clube de futebol de relvaa se chama Praia?! É como se um clube de praia se chamasse "Nazaré-Relva".. mas enfim)

João Carlos Pereira decide guardar a bomba no banco.. e esta só explodiu aos 76 minutos, quando entrou em campo. Desta vez, talvez por timidez e pressão do público que empunhava cartazes como "Bafode, mostra lá quem é que pode", o nosso Dabo nada fez de relevante.

Triste, só, não reconhecido, partiu para mais uma semana dolorosa com perguntas na sua mente como "Misté João Cálos Peréira, porque não me poes a jogar aqui na Amoreira?"

Inconfundíveis rimas made in Guiné Bissau. Triste, só e não reconhecido, Bafode partiu no fim de semana com a sua equipa para o jogo em Aveiro. Beira-MAR contra Estoril-PRAIA. Uma espécie de derby salgado, derby Olá, derby veraneante. Aliás, soubemos por fontes próximas da capitania de Aveiro que vários barcos da Guiné atracaram no Porto de Aveiro (como é que Aveiro pode ter um Porto? É como Pampilhosa ter um Guimarães.. não cabe!!) Este jogo está para o futebol como o Paulo Bento está para o Sporting. Fresco, emotivo, dividido (no couro cabeludo é bem notório), explosivo, nervoso, Veloso, zeloso e no fundo.. Falhado.

por isso, Bafode Dabo do Carvalho não saiu do Banco e o Estoril-Praia perdeu.. Pimba!! toma lá!! 3-1 contra o Beira-MAR.

Sera Março o Mês de Bafode?? Não percam os próximos episódios após compromissos publicitários.. de talvez... 2 semanas :)

Quinta-feira, Março 12, 2009

A Balada de Vítor Vinha

Vítor Vinha disse que o Vinha vinha ver a sua vinha
Mas não veio
E que Valente vinho vem da vinha do Vítor Vinha
Que vasta videira o Videira vendeu ao Vítor Vinha
Mas o Vinha vinha vendo
Que o vinho que vinha da vinha do Vítor Vinha valia vinagre
E vai daí

Vítor Vinha avisou o Vinagre para vir ver a vinha
Mas o Vinagre fez como o Vinha
Fez como o Vinha e não veio ver a vinha do Vítor Vinha
Ele disse que se viesse ver a vinha do Vítor Vinha
Depois vinha vaiar o Vinha a Vinhais
Fez como o Vinha e não veio ver a vinha do Vítor Vinha

E na volta
Vinha ver como o João Viva vivia a sua vida
E Vítor Vinha deu um viva ao João Viva
Pois Viva vinha ver a sua vinha
Viva o Viva por avivar a vinha do Vítor Vinha
E para evitar ver o Vinagre a vaiar o Vinha em Vinhais
O Viva viveu na vinha do Vítor Vinha até o Vinha vir de Vinhais

Sexta-feira, Março 06, 2009

Bafode Watch I


Inauguramos hoje uma nova rubrica aqui no Cromos da Bola, SAD:
- O Bafode Watch.

Enamorado pelas múltiplas capacidades do jogador canarinho Bafode Carvalho, o comité bloguístico decidiu ofertar uma resenha mensal da magia bafodiana a todos os adeptos do futebol mundial, que desta forma podem passar a seguir a carreira do estóico polivalente gialloblú.

- "Raios me bafodam, mas quem é o carvalho do gajo?"

Nada nos dará mais prazer do que responder a essa questão:

Ou melhor, a um anónimo Mestre youtubiano. Segundo as sábias palavras do sempre atento AGENTEVANDRO, o lateral-direito Bafode faz uma perninha a extremo, mas também pode jogar a trinco caso seja necessário. Senão vejam, no seu melhor inglês Graeme Sounéssio:
- "quickly and great skill ,good cross and well knowing for be very strong right defender,could play as a DEFENSIVE MIDFIELD as he has enough ability and great pass, create a lot of oportunity for his team mate!! "

Proponho-me a traduzir o texto do nosso entusiasta amigo:

-"rapidamente e grande capacidade ,bom cruzamento e sabendo bem para ser forte defesa direito, podia jogar como um MEIO-CAMPO DEFENSIVO já que ele tem habilidade suficiente e excelente passe, cria muitas oportunidade para o seu equipa amigo."

Parece-me algo que poderia sair da experiente cavidade bucal de Jorge Jesus, mas não vejo por que motivo o reputado Mijter arsenalista haveria de usar um pseudónimo. Assim sendo, vamos continuar a chamar-lhe AGENTEVANDRO...mas com todo o carinho do Mundo, claro.
Até porque o mesmo guru youtubense nos faculta um mágico vídeo com os melhores momentos da carreira do estorilista Bafode Dabo Carvalho. Aqui.

Como desde cedo se aperceberão, este deleite de oito minutos é bem capaz de ser uma das melhores compilações de jogadores existentes na internet. Esqueçam os golos de Ibracadabra, os regates de Leo Messi ou os slaloms de CR7. Temos os atrasos para o guarda-redes e os passes curtos lateralizados de Bafode Carvalho.


A movimentada compilação dos melhores momentos da carreira do nosso herói conhece o seu primeiro momento de êxtase aos 00:36 seg, momento no qual podemos observar o melhor cumprimento arbitral da carreira de Bafode. A perfeita extensão do braço e a correctíssima postura do espécimen compõem um cordial bacalhau do carvalho.

O carvalho do Bafode é absolutamente exímio a fazer atrasos imaculados para os centrais (1:09 min ou 3:29min) e exibe uma invulgar maestria na forma como observa os colegas a executar livres directos (2:00 min).
Reparem no seu globo ocular direito: perfeitamente posicionado no rosto, demonstrando um raro savoir faire futebolístico-fisiológico.

O polivalente luso é de igual forma excelente a ajeitar a bola e correr para a marcação das bolas paradas. Infelizmente ficamos sem saber como as marca, ao final de contas (2:05min e 2:15min).

Pouco depois, demonstra todo o seu potencial-mantorras ao ludibriar um adversário e a colocar o cautchú no insuspeito ariete canarinho, que finaliza afobado (2:42min).
Mas não fica por aqui: potencial cacciólico (4:00min) a bafoder a sempre bela e elegante defesa do Sport Lisboa para uma concretização do carvalho.
Excelente passe lateral aos 4:35min. O carrossel canarinho no seu apogeu bafodiano. Estaremos na presença do tão aguardado Farnerud de Ébano?

Brilhante a forma como usufrui da capacidade de andar, usando as duas pernas e o seu belíssimo ouvido interno para manter o equilíbrio (5:45min).
Aos 6:14 min, um momento de carinho, que vai buscar qualidades humanas ao fundo daquele poço negro de sórdida carnificina chamado Gilles Binya. Foi o primeiro contacto humano não-agressivo/mutilador da carreira do centro-campista camaronês. A próxima viagem de Bafode Carvalho será à Faixa de Gaza, onde tentará envolver os embirrentos israelitas e palestinianos num doce e ternurento abraço pacificador.

O que aprendemos ao visionar estas imagens? Para além de que o equipamento do Estoril-Praia parece um pijama da Fabio Lucci, descobrimos que Bafode Carvalho é ambidestro da língua, mestre na basculação lateral técnico-táctica do futebol contemporâneo vertical e bravíssimo na componente defensivo-ofensiva da ocupação de espaços previamente ocupados.

Para a semana, o primeiro report, onde passaremos a prokopenko fino o Mês de Fevereiro protagonizado por Bafode Dabo Carvalho. Até lá, não se bafodam todos, carvalho.

Quarta-feira, Março 04, 2009

Patrocinadores Jeitosos

Estávamos em 1989. Xavier e Resende saíam de Riade a pensar em altos voos, antes de se despenharem pelos precipícios da desilusão. Miguel Veloso aprendia o B-A-BA das madeixas, enquanto o seu pai treinava penalties contra um boneco do Van Breukelen durante serões a fio. E pelos nossos relvados, camisolas aparentemente simples cobriam-se de patrocínios que revelar-se-iam históricos. Eis uma pequena amostra.

Apenas um nome era capaz de tornar o habitualmente sorumbático Isaías numa espécie de criança sorridente. Esse nome era “Teresinha”.
Teresinha foi como ficou conhecida a mais apaixonante sapataria de todos os tempos. E Teresinha tinha outra irmã, Beleza de seu nome, também ela uma sapataria, também ela uma aficionada pelo futebol do Porto. Porém, duas irmãs, duas paixões: enquanto que Teresinha perdera-se de amores pelo xadrez do Bessa, Beleza grudava-se como uma lapa aos bancos de suplentes das Antas.
Ah, Teresinha, Teresinha; quantos boavisteiros trajaram com o teu nome cravado a letras vermelhas no seu torso musculado… De Hubart a Phil Walker, quem ficou indiferente ao charme discreto da mais famosa Teresa do futebol nacional?
É justo reconhecer: o nosso imaginário futebolístico está marcado a tinta permanente por esta Teresinha. Quantos de nós, ao observar as bravas vestes quadriculadas, não quisemos conhecer-te de perto, entrar dentro de ti, tactear o teu couro e apreciar o conforto de um 42 biqueira larga? Todos nós, Teresinha. Também queríamos sentir a nossa peúga acariciada por ti e sermos Nelsons Bertolazzis por um dia.
Anos mais tarde, Teresinha revelou-se finalmente aos nossos olhos, sob a forma de menina da TV Cabo. Não nos desiludiste, Teresinha – não eras nenhuma bota da tropa, mas o sapatinho de Cinderela que humedecia os nossos sonhos.

A casualidade assaz natural de N’Dinga, espantado com o insólito objecto que lhe espetaram diante dele (“É só uma máquina fotográfica, N’Dinga”), apenas encontra contraste no vigor com que Tensai foi estampado na alva e engelhada camisola vimaranense.
Para dizer a verdade, a Le Coq Sportif apenas queria equipar o conjunto de trolhas que iria fazer umas obras na mansão do seu presidente. Vai daí, compraram cerca de duas dúzias de t-shirts brancas XL na Feira de Espinho por uma verdadeira pechincha. Só então é que veio a ideia de fazer um equipamento desportivo a partir das t-shirts, depois do sindicato dos trolhas ter rotulado o equipamento proposto de “indigno para toda a classe profissional”.
A direcção do Vitória ainda hesitou – “Eh pá, com aquelas golas em plenos anos 80 vamo-nos fartar de ser gozados, até perante o Fafe” – mas quando a Tensai lhes apresentou a sua proposta de patrocínio não restaram dúvidas: “Sim senhor, aquilo é que é pujança na ocupação do espaço; quase que já parece um equipamento de futebol a sério”.
Apesar do ar confuso de N’Dinga, tal opção fazia sentido: um equipamento rudimentar com um patrocínio ligado à tecnologia. Até era um avanço no sentido da modernidade. Antes de Tensai tinha sido o Atum General. Dizem que uma lata de atum vazia pagava o próprio equipamento da Le Coq Sportif.

Este breve lamiré despede-se não com um exemplar, mas toda uma equipa. É o mínimo que se podia fazer. Falamos do saudoso Beira-Mar, que regressara ao convívio da elite. Ou melhor, alguns chamar-lhe-iam Beira-Mar, mas os mais atentos designavam este brioso colectivo de “Exército das Telhas Campos”.
As Telhas Campos eram a verdadeira razão de ser destes guerreiros, tal o peso do seu prestígio. Todo o plantel treinava-se afincadamente durante a semana apenas para chegar ao Domingo e passear com altivez o nome das valentes Telhas Campos pelas quatro linhas deste rectângulo à beira-mar plantado. É possível vislumbrarmos o orgulho indisfarçável de mitos vivos como Dinis, Abdel-Ghany, Alain e Bugre, bem como a alegria transbordante de personagens como Paulo Campos, Costeado, Paquito e João Gouveia. O guarda-redes Miguel era naturalmente o mais triste por não ter direito àquele pedaço sagrado de tecido publicitário.
Todo o plantel uniu-se em nome deste ideal: evocavam o nome das Telhas Campos nas alturas más, glorificavam em êxtase a qualidade incomparável do material argiloso nas alturas boas e nunca deixaram que qualquer cerâmica espanhola denegrisse o seu bom-nome. Por exemplo, Dinis nunca foi capaz de partir uma Telha Campos que fosse na cabeça de Paquito – utilizava antes material em borracha impermeável, que até podia ser reutilizado em outras agressões semelhantes ou então para o telhado da sua garagem.
Há quem diga simplesmente que os tipos não batiam bem da telha, mas isso já não é para aqui chamado.

Agradecimento ao blogue Glórias do Passado pelo magnífico arquivo fotográfico.